Carlos Pereira (Crédito:FGV/Divulgação)
A mais recente pesquisa Genial Quaest, desenha um cenário eleitoral que ajuda a compreender, desde já, os contornos da disputa presidencial de 2026. A avaliação do cientista político, professor da Escola Brasileira de Administração Pública da FGV, Carlos Pereira aponta um dado central: o governo Lula apresenta sinais claros de recuperação. A rejeição diminuiu, ainda que permaneça elevada, e essa melhora começa a se refletir diretamente no desempenho eleitoral do presidente, afirmou o professor à CBN.
Fragilidade dos adversários
Nesse contexto, Lula aparece como favorito em praticamente todos os cenários analisados. Não se trata apenas de força pessoal, mas de uma combinação entre incumbência, capital político acumulado e fragilidade dos adversários. O cenário, hoje, é confortável para o governo e desconfortável para a oposição.
Apostando na marca
A principal dificuldade do campo oposicionista é a incapacidade de construir um candidato realmente competitivo. Fragmentada, a oposição ainda não encontrou um nome que consiga se apresentar como alternativa sólida ao lulismo. O bolsonarismo, por sua vez, segue uma lógica conhecida: insiste em manter sua trajetória majoritária, apostando na força da própria marca, apontada por quem Flávio Bolsonaro chama de dono da franquia (Jair Bolsnaro).
Transferência de votos
A pesquisa mostra que Jair Bolsonaro ainda é capaz de transferir votos ao filho, Flávio Bolsonaro, levando-o ao segundo turno em alguns cenários. Esse dado revela a força do bolsonarismo como identidade política. Mas também expõe seus limites. Flávio tem um piso eleitoral relevante, porém um teto extremamente baixo, em razão de uma rejeição próxima de 70%. Com esse nível de rejeição, a competitividade contra Lula é mínima.
presidencialismo multipartidário
Esse paradoxo cria um dilema clássico do presidencialismo multipartidário: abrir mão da candidatura própria em favor de um nome potencialmente mais competitivo da centro-direita ou preservar o patrimônio político construído em torno da marca Bolsonaro, mesmo com alto risco de derrota. Tudo indica que o bolsonarismo optará pela segunda alternativa.
Restrições a Tarcisio
A presença de Flávio Bolsonaro na disputa também impõe restrições a outras candidaturas, especialmente a de Tarcísio de Freitas. O eleitorado paulista, essencial para qualquer projeto presidencial, migra majoritariamente para Flávio, estreitando o espaço de crescimento do governador de São Paulo, que tende a priorizar uma reeleição quase garantida.
Falta de carisma
A centro-direita enfrenta ainda outro obstáculo: a falta de carisma. No Brasil, carisma continua sendo ativo decisivo, algo que Lula mantém e que o bolsonarismo não conseguiu consolidar. Construir isso em pouco tempo é improvável.
Retrato atual tende se manter
Salvo fatos novos de grande impacto, o retrato atual tende a se manter. E, nesse desenho, Lula segue nadando de braçada, enquanto a oposição procura, um caminho viável para 2026.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa