O Rio Grande do Sul sempre foi estratégico para o desenvolvimento do Brasil, especialmente no agronegócio. Nossa história está marcada por pioneirismo, coragem e trabalho duro. Desde os ciclos do charque e do trigo até a soja e a pecuária moderna, ajudamos a alimentar o País e gerar riquezas. No entanto, enquanto outros estados cresceram e se reinventaram, muitas vezes ficamos presos ao passado, reclamando do Brasil como se ele nos devesse algo.
A verdade é que o Brasil não seria o que é sem o Rio Grande do Sul. Mas será que temos feito o suficiente para acompanhar o crescimento de estados como Mato Grosso, Goiás, Paraná e Santa Catarina? Enquanto outras regiões inovam e se tornam polos de investimento, seguimos debatendo os mesmos conflitos históricos, divididos entre Inter e Grêmio, chimangos e maragatos, esquerda e direita, como se isso fosse nos levar a algum lugar.
Onde estão nossos líderes? Há tempos parece que preferimos torcer contra aqueles que podem nos conduzir ao progresso em vez de apoiá-los. Ao invés de incentivar quem tem capacidade de liderar, criamos obstáculos, desconfiamos, criticamos e muitas vezes trabalhamos contra. Enquanto isso, outros estados fortalecem suas lideranças, atraem investimentos e crescem. Precisamos urgentemente mudar essa mentalidade, parar de sabotar nosso próprio futuro e começar a construir, juntos, um Rio Grande do Sul mais forte e competitivo.
Nosso maior desafio não está lá fora, mas dentro de nós mesmos. Perdemos espaço porque nos agarramos ao passado e deixamos de olhar para o futuro com a ousadia que sempre nos caracterizou. Ainda vivemos com o receio do retrocesso político, temendo a volta de governos que já nos atrasaram, quando, na verdade, deveríamos focar em como avançar e nos tornar um Estado mais competitivo.
Nas enchentes, o Brasil inteiro se mobilizou para nos ajudar, e ainda assim passamos o tempo todo dizendo que o País nos deve, muitas vezes soando quase ingratos. O que nos falta não é reconhecimento externo, mas atitude interna. Se quisermos recuperar nosso protagonismo, precisamos parar de olhar para trás e encarar o futuro com coragem, inovação e unidade.
Um exemplo de proatividade e mudança de atitude é a proposta para recompor o endividamento agropecuário gaúcho, especialmente com relação aos prejuízos climáticos que foi apresentado pelo Governo gaúcho. Racional e com condições de sermos atendidos, uniu o setor público e privado na busca de realmente solucionar o problema do produtor. Temos direito, sim, de ajuda efetiva, mas não pelo que fizemos e sim pelo que continuamos fazendo pelo Brasil.
O Rio Grande do Sul tem tudo para liderar novamente — mas só se soubermos aprender com os erros e abandonar o velho hábito de culpar os outros pelos nossos próprios desafios. A escolha é nossa: seguir reclamando ou construir um novo tempo para o nosso estado.
Jeronimo Goergen, ex-deputado federal, advogado e presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra)