O estranho ritual das apresentações na Câmara dos Deputados

Ilustração (Edgar Lisboa com recursos de IA)

Plenário ou palanque? O estranho ritual das apresentações. Nos últimos meses, a tribuna da Câmara dos Deputados vem se transformando em uma espécie de palco cívico de cumprimentos. Um desfile constante de nomes e cargos com prefeitos, vices, vereadores, assessores, empresários, diplomatas, embaixadores apresentados com pompa por parlamentares que, ao microfone, manifestam “carinho” e “respeito”. No entanto, o gesto cordial tem se tornado excessivo.

Agenda de campanha

O plenário, que deveria ser espaço de debate legislativo, parece, muitas vezes, uma extensão das agendas de campanha. E no final, o parlamentar pede divulgação nos veículos e comunicação da Câmara dos Deputados. Tem que pedir? Não é  obrigação divulgar a atividade parlamentar dos deputados? Ou só leva, quem pede?

O show do ego político
A prática até poderia ser vista como uma gentileza institucional, um gesto de reconhecimento às autoridades locais e internacionais. Mas o que era exceção virou rotina, e o que deveria ser brevidade virou espetáculo. A cada cinco minutos, um novo deputado pede a palavra para apresentar um convidado. O ato simbólico se converte em vitrine política,  uma chance de reafirmar presença, de aparecer nas transmissões ao vivo da TV Câmara e Rádio Câmara, e de garantir aplaudidos segundos de exposição nacional.

O Parlamento e o Brasil assistem
Enquanto o país enfrenta desafios urgentes, econômicos, sociais, ambientais , o plenário vira cenário de selfies e reverências. O cidadão que acompanha as sessões pela TV pública, esperando ouvir o debate de leis e políticas públicas, se depara com um desfile cerimonial que mais lembra convenções partidárias do que uma casa legislativa. No mínimo, estranho. No máximo, desrespeitoso com o tempo público.

O limite do razoável
Apresentar visitantes é parte da etiqueta institucional, mas o abuso fere a liturgia do cargo. O Parlamento não é camarote eleitoral. Deputados têm a missão de legislar, fiscalizar e representar, não de converter o espaço público em palanque pessoal. O excesso de apresentações esvazia o sentido do gesto e compromete a imagem de seriedade da Casa.

O Respeito à liturgia e ao cidadão
Um mínimo de sobriedade devolveria ao plenário o tom que a democracia exige. A reverência pública deve estar nos votos, nas propostas e nas ações concretas não no microfone usado como trampolim político. Afinal, entre aplausos protocolares e discursos de saudação, o país segue esperando que o Parlamento fale, de fato, sobre o que importa. Com tristeza, não se observa um avanço, mas em alguns casos, um retrocesso, lamenta um parlamentar.

Menos poder para Janja

Luciano Zucco (Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

O líder da Oposição na Câmara dos Deputados, deputado federal Zucco (PL/RS), protocolou nesta segunda-feira (13), o Projeto de Decreto Legislativo nº 814/2025, que susta os efeitos do Decreto nº 12.604/2025, editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que amplia o poder da primeira Dama Janja Lula da Silva.

Aparato público

O decreto cria uma estrutura oficial e cargos públicos para servir à primeira-dama, dentro do Gabinete Pessoal da Presidência da República “algo inédito na história republicana”. A medida, assinada também pelos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Esther Dweck (Gestão), confere à esposa do presidente um aparato público e funções institucionais sem qualquer amparo legal.

Zucco critica “privilégios” no Palácio

O líder da Oposição critica aumento de impostos para, na sua opinião, “bancar mordomias, cargos e privilégios dentro do Palácio”. Para Zucco os quase 30 tributos, desde o início do governo: é para sustentar a máquina, distribuir benesses aos aliados e garantir uma vida de rainha à primeira-dama. O contribuinte é quem paga a conta”.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa