Mercado eleva projeção para a inflação nos próximos anos

O Brasil já ultrapassou o teto da meta de inflação em 2024, que alcançou 4,83%. Para 2025 a estimativa passou de 4,99% para 5%

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília. Crédito foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Economistas do mercado financeiro elevaram suas projeções para a inflação em todo o horizonte da pesquisa do Boletim Focus. Segundo os dados, divulgados pelo pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (13/1), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025 passou de 4,99% para 5%.

Para 2026, a projeção subiu de 4,03% para 4,05%. Para 2027, a estimativa foi elevada de 3,79% para 3,80%, enquanto para 2028, subiu de 3,60% para 3,62%. A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3% em 2025. A margem de tolerância para que ela seja considerada cumprida é de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima.

O Brasil já ultrapassou o teto da meta de inflação em 2024. De acordo com os dados divulgados na última sexta-feira (10), o IPCA do ano acumulou alta de 4,83%. Em carta enviada pelo BC ao Ministério da Fazenda, a autoridade monetária atribuiu o estouro da meta ao forte crescimento da economia, à desvalorização do real e a fatores climáticos.

Taxa de juros

Em relação à taxa básica de juros, a Selic, o Boletim Focus manteve a projeção da semana passada de 15%, para 2025. Há quatro semanas a projeção era de 14%. Para 2026, a estimativa do mercado financeiro é que a Selic fique em 12%. Para 2026 e 2027, as projeções são de que a taxa fique em 10,25% e 10%, respectivamente.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 12,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

No final do ano passado, o colegiado aumentou a Selic em 1 ponto percentual (p.p), com a justificativa de que a reação do mercado financeiro ao pacote fiscal do governo federal tornou o cenário inflacionário mais adverso, demandando uma política “ainda mais contracionista”.

As reações negativas do mercado financeiro ao pacote de corte de gastos, anunciados pelo governo em novembro do ano passado, fez com que o dólar saltasse, ultrapassando o patamar dos R$ 6 pela primeira vez na história.

Ainda de acordo com o Copom, o cenário mais adverso para a convergência da inflação à meta para 2025, de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5% pode demandar novos aumentos de 1 ponto percentual na Selic nas próximas duas reuniões do comitê: em janeiro, nos dias 28 e 29, e em março, nos dias 18 e 19.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Câmbio

Em relação ao câmbio, a previsão de cotação do dólar ficou em R$ 6,00 para 2025. No fim de 2026, a previsão é que a moeda norte-americana também fique em R$ 5,40. Para 2026, o câmbio também deve ficar, de acordo com o Boletim Focus, em R$ 6,00, um aumento em relação aos R$ 5,90 projetados na semana passada. Para 2027, a projeção é R$ 5,82 para o dólar e R$ 5,88, para 2028.

PIB

A mediana das projeções para o produto interno bruto (PIB) em 2025 ficou estável em 2,02%. As previsões para 2026, 2027 e 2028 também foram mantidas em 1,80%, 2% e 2% , respectivamente.

Dólar

Em relação ao câmbio, a expectativa para o dólar em 2025 permaneceu em R$ 6,00. Para 2026, a estimativa subiu de R$ 5,90 para R$ 6,00, enquanto a projeção para 2027 subiu de R$ 5,80 para R$ 5,82. Para 2028, a projeção passou de R$ 5,80 para R$ 5,88.

Repórter Brasília/Boletim Focus