Levantamento do ‘Estadão’ com base em pesquisas eleitorais identificou candidatos favoritos para 32 das 54 vagas abertas na Casa Alta
A eleição para o Senado Federal se tornou o principal campo de batalha entre o bolsonarismo e o governo Lula (PT) em 2026 após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) definir a estratégia de conseguir maioria para eleger o presidente da Casa Alta e pautar o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Levantamento feito pelo Estadão com base em pesquisas eleitorais de diferentes institutos em todos os Estados brasileiros e o Distrito Federal mostra que MDB, PL e PP são as siglas com mais pré-candidatos despontando como favoritos. Ainda é cedo, porém, para concluir se a tática bolsonarista dará certo ou será minada pelas alianças regionais do PT com partidos de centro e do Centrão, sobretudo no Nordeste.
O critério utilizado para definir os nomes que largam na frente foi a vantagem superior à margem de erro em um ou mais cenários testados pela pesquisa – em parte dos casos, políticos que já declararam publicamente que serão candidatos a outros caros, como governador, foram desconsiderados.
O método permitiu identificar nomes para 60% das 54 vagas que estarão em disputa no ano que vem. Nos 40% restantes, o cenário segue indefinido: em alguns Estados há um favorito apenas para a primeira vaga; em outros, nem sequer há clareza sobre quem serão os candidatos. São Paulo é exemplo disso. À esquerda, não há nomes definidos – o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), não quer disputar a eleição e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) prefere se manter no posto. À direita, persiste a incógnita envolvendo Eduardo Bolsonaro (PL) e quem ocuparia seu lugar na chapa bolsonarista ao Senado.
O cenário também está totalmente indefinido em Minas Gerais, Amazonas, Rio Grande do Sul, Sergipe e Rondônia.
Oito emedebistas aparecem em primeiro ou segundo lugar nas pesquisas. A maioria é aliado de Lula no Nordeste, como Renan Calheiros (MDB-AL), Eunício Oliveira (MDB-CE), Helder Barbalho (MDB-PA), Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e
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O desempenho deve ajudar a reforçar as fileiras governistas no Senado, já que, no caso do PT, apenas o ministro Rui Costa (PT-BA) e o senador Humberto Costa (PT-PE) são favoritos neste momento. Os petistas podem emplacar mais nomes, como José Guimarães (PT-CE), a governadora Fátima Bezerra (PT-RN), e a reeleição do senador Jaques Wagner na Bahia.
O PL elegeria, pelas pesquisas atuais, ao menos seis senadores, com destaque para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), Carlos Bolsonaro (PL-SC), o filho de Bolsonaro, e o governador fluminense Cláudio Castro (PL-RJ). Há aliados do ex-presidente que se elegeriam por outros partidos, como os governadores Gladson Cameli (PP-AC), Antônio Denarium (PP-RR) e Ibaneis Rocha (MDB-DF), além do senador Esperidião Amin (PP-SC).
A indefinição em 22 das 54 vagas em disputa turva a projeção do tamanho que cada bancada teria, impossibilitando cálculos sobre como ficaria a distribuição de força no Senado a partir de 2027.
Para Murilo Hidalgo, CEO do Paraná Pesquisas, porém, o cenário de hoje aponta que o bolsonarismo não deve conseguir maioria no Senado.
“Vamos, sim, ter um Senado conservador, mais à direita e voltado para a pauta de costumes. Mas senadores bolsonaristas, dispostos, por exemplo, a votar pelo impeachment de ministros do Supremo, não acredito que serão muitos. Os governadores que vão concorrer, como Antônio Denarium, Cláudio Castro, Mauro Mendes e Gladson Cameli, são favoritos e se situam no campo da centro-direita. Acho pouco provável que votem para cassar ministros do STF”, diz o CEO do instituto. Para ele, a tendência é que a maioria dos eleitos componha uma “direita governista”, nos moldes do Senado atual.
Hidalgo avalia que a possível candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, se for mantida, pode embaralhar ainda mais a disputa pelo Senado. “O Flávio muda bastante o cenário. Se for candidato, vai precisar lançar senadores para ter palanque e tende a apostar em nomes mais radicais.”
Veja abaixo o cenário em alguns Estados e no DF:
Rio Grande do Sul: indefinido
O Rio Grande do Sul caminha para ter uma das disputas pelo Senado mais disputadas do País. Há empate técnico na Real Time Big Data entre o governador Eduardo Leite (PSD), que também pode disputar a Presidência, a ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PSOL), o deputado federal e o ex-ministro Paulo Pimenta (PT), o deputado federal Marcel van Hattem (Novo). O deputado federal Sanderson (PL) também entra na briga, mas pela segunda vaga.
Santa Catarina: PL e PP
A direita é favorita em todos os cenários testados em Santa Catarina. No Estado, há uma disputa entre o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), a deputada Caroline de Toni (PL) e o senador Esperidião Amin (PP) para definir quem serão os dois candidatos do bolsonarismo. Os três se alternam nas duas primeiras colocações a depender da configuração da chapa. Os dados são da Real Time Big Data.
Distrito Federal: PL e MDB
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) lidera numericamente no Paraná Pesquisas. Depois dela, vem o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que está empatado tecnicamente com Michelle dentro da margem de erro.
Goiás: União Brasil e indefinido
A primeira-dama de Goiás, Gracinha Caiado (União), é a mais bem posicionada na disputa pelo Senado no Estado. Na pesquisa do instituto Paraná do mês de dezembro, ela lidera com 36,1% no primeiro cenário e chega a 40,1% no segundo. A briga pela segunda vaga está embolada e varia conforme o cenário testado, envolvendo nomes como o deputado federal bolsonarista Gustavo Gayer (PL), o senador Vanderlan Cardoso (PSD) e o ex-deputado bolsonarista e vereador de Goiânia Major Vitor Hugo (PL) – este último, no entanto, já disse que concorrerá à Câmara.
Íntegra do levantamento:
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa/ Fonte: Estadão