O presidente Lula embarcou de volta a Brasília após a Assembleia da ONU em Nova York, afirmando estar otimista para o encontro com Donald Trump, esta semana: “tudo será colocado na mesa, menos democracia e soberania”. O vice-presidente Geraldo Alckmin também acredita que a boa química entre os dois pode ajudar a destravar as negociações sobre o tarifaço.
Aprendizado e altivez

Para o deputado Bohn Gass (PT/RS), o episódio na ONU mostrou que Lula não cedeu a pressões, defendeu empregos e empresas brasileiras e se manteve aberto ao diálogo. Em entrevista à coluna Repórter Brasília ele destacou que, diante da pressão interna nos EUA contra o tarifaço, Trump se vê cada vez mais isolado e precisou elogiar Lula.
ONU e liderança internacional
Bohn Gass ressaltou ainda a fala de Lula na ONU, em defesa da paz, do multilateralismo, do clima e da distribuição de renda, rejeitando guerras e posturas coloniais. O parlamentar comparou Lula a líderes como Mujica e o Papa Francisco, lembrando que sua mensagem central segue inegociável: democracia e soberania não estão à venda.
Economia e o “tarifaço”
O ponto central da futura reunião entre o presidente brasileiro e o norte-americano tende a ser a política comercial agressiva dos EUA contra o Brasil, especialmente no que diz respeito às tarifas sobre aço, alumínio, calçados e tabaco. Lula buscará defender o setor produtivo brasileiro e negociar uma saída que evite prejuízos às exportações. Trump, por sua vez, deve tratar do acessoaos mineris crítics, de terras, btante cobiçados pelos Estados Unidos e trifs skbre etanol, além de manter a retórica de “proteção de empregos americanos” e pode usar as tarifas como instrumento de barganha, oferecendo reduções em troca de concessões específicas.
Geopolítica e Soberania
Ambos usarão a reunião para marcar posições globais. Lula tende a reforçar a defesa do multilateralismo, da ONU e da integração do Sul Global, enquanto Trump seguirá na linha de priorizar “America First”, com pouco apreço por instituições multilaterais. Temas como a guerra em Gaza, a pressão sobre a Venezuela, o papel da China no comércio internacional e a reforma do Conselho de Segurança da ONU podem surgir como campos de divergência. Para Lula, é essencial mostrar que a soberania brasileira não está em negociação; para Trump, o importante é reafirmar a liderança dos EUA.
Clima, Tecnologia e Futuro das Relações
O clima pode aparecer como pauta sensível: Lula provavelmente cobrará compromissos americanos com o financiamento de iniciativas ambientais, enquanto Trump, cético em relação a pautas climáticas, pode minimizar o tema. Outro ponto provável é a regulação da Inteligência Artificial e das plataformas digitais — tema que Lula levou à ONU. Trump tende a tratar isso sob a ótica de competição tecnológica e liberdade de mercado. A reunião pode definir o tom das relações bilaterais até 2026, funcionando mais como sinal político que como encontro para firmar acordos concretos.
Testar limites
Lula entrará em busca de respeito à soberania, defesa do multilateralismo e redução do impacto do tarifaço, enquanto Trump buscará reafirmar seu poder de pressão. O encontro será menos sobre convergência e mais sobre testar limites e enviar recados ao mundo.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa