Julgamento domina Congresso

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus, acusados de tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, domina os debates no Congresso Nacional.

Visão dos parlamentares

Denise Pessôa (Crédito: Vinicius Loures/ Câmara dos Deputados)

Entre os deputados, a divisão é clara. A deputada gaúcha, Denise Pessôa (PT/RS) considera que os atos de 8 de janeiro foram uma tentativa real de golpe que não pode ficar impune. Para ela, “o STF precisa dar uma resposta firme, rompendo com a tradição brasileira de não punir rupturas institucionais. O Brasil nunca puniu de forma efetiva os responsáveis por ataques à democracia e aos direitos humanos”, reforça.

O que é democracia

Osmar Terra (Crédito: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados)

O deputado Osmar Terra (PL/RS), recém-chegado ao partido, questionou o julgamento de Bolsonaro e outros réus. Em discurso, disse que “democracia é o poder que emana do povo, e que o Congresso é o verdadeiro espaço de representação”. Criticou ministros do STF, acusando-os de “agir como poder político sem respaldo constitucional”, citando casos como “o marco temporal, a descriminalização da maconha e o aumento do IOF”. Para Terra, “há perseguição à oposição, e o país precisa ser redemocratizado, com cada poder no seu devido lugar”.

Efeito político imediato

O voto do ministro Luiz Fux, na quarta-feira (10), deu novo fôlego à campanha pela anistia no Congresso. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcanti (RJ), afirmou que a oposição já mobilizou mais de 300 parlamentares para votar favoravelmente à proposta na próxima semana. A leitura entre aliados de Bolsonaro é que o gesto do ministro fortalece a narrativa da perseguição política e cria espaço para a anistia ganhar corpo no Parlamento.

Maratona de resistência

O voto do ministro Luiz Fux, com impressionantes 13 horas e 429 páginas, entrou para a história do STF como um dos mais longos já proferidos em sessão única. O detalhe curioso é que, diante de apenas oito réus, superou em tempo até votos do Mensalão, que envolvia 40 acusados. O exagero acabou rendendo bocejos na Corte, e sonolência aos telespectadores. Lembrando que, por vezes, a prolixidade afasta mais do que esclarece. Justiça não precisa ser maratona de resistência, mas sim clareza objetiva.

República de bananas

Erika Kokay (Crédito: Bruno Spada/ Câmara dos Deputados)

A deputada Erika Kokay (PT/DF) reagiu com indignação ao ver, em pleno 7 de setembro, brasileiros carregando bandeiras dos Estados Unidos. Para ela, “essa cena simboliza a tentativa de transformar o Brasil numa ‘República de Bananas’, expressão que ouviu em plenário e que na visão da parlamentar, define um país submisso a outro. Estão com a bandeira errada nas ruas”.

Servilismo perigoso

Kokay lembrou que “é hipocrisia acusar defensores da democracia enquanto se aplaude a interferência externa e se ameaça o Brasil com porta-aviões estrangeiros. Quem bate continência à bandeira estadunidense não defende o povo brasileiro”, disparou.

Golpe e impunidade

A deputada criticou ainda “parlamentares que articulam nos EUA contra o próprio país, defendendo anistia para criminosos que atentaram contra as instituições”. Para Erika Kokay, “esse servilismo é traição: “Querem estender nossa bandeira para ser pisoteada por interesses alheios”.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa