Na noite desta sexta-feira (22), a Embaixada da Áustria abriu suas portas para um evento que mesclou diplomacia, cultura e história. Diplomatas, jornalistas, escritores e convidados participaram do lançamento do livro Imperatriz Leopoldina, da escritora Clotilde Chaparro. A obra, fruto de um pedido da embaixatriz Angelika Scholtz, presta uma homenagem a uma das figuras femininas mais importantes da formação do Brasil independente.
A atmosfera do evento refletia a ligação entre as duas pátrias de Leopoldina: boa música austríaca embalava a noite, acompanhada de um jantar típico, evocando sabores e memórias da terra natal da imperatriz.
A herança europeia e o destino brasileiro
Leopoldina era filha do imperador da Áustria, Francisco I, bisneta da célebre imperatriz Maria Teresa, cunhada de Napoleão Bonaparte e sobrinha-neta de Maria Antonieta, guilhotinada na Revolução Francesa. Em sua trajetória, cruzam-se os ecos das cortes europeias e o nascimento de uma nova nação na América do Sul.
Ao casar-se com D. Pedro I, conheceu não apenas o homem que proclamaria a Independência, mas também uma terra que se tornaria sua verdadeira pátria. Ainda jovem, compreendeu que a volta a Lisboa seria regressar ao jugo colonial, e foi ela quem proclamou, antes mesmo do marido, o célebre “Fico”, incentivando Pedro a permanecer no Brasil.
A estrategista da Independência
Com base em uma rigorosa pesquisa, Clotilde Chaparro mostrou que Leopoldina foi muito além da imagem da consorte imperial. Parceira intelectual de José Bonifácio, articulou a defesa da unidade territorial e incentivou D. Pedro a romper definitivamente os laços de submissão a Portugal.
Independência ou morte
A carta que escreveu ao marido, quando as Cortes Portuguesas exigiram o retorno imediato da família real, foi decisiva: entregue às margens do Ipiranga, alimentou o gesto que ecoaria com a célebre frase “Independência ou morte!”.
Uma visão interrompida
Entre as presenças no lançamento do livro, na embaixada da Áustria: Gertrud Margot Flügel Mathias, Gustavo Dourado, Maria Félix Fontele, Gustavo Fontele Dourado, Marlene Galiazzi, baronesa Lúcia Itapary e Edgar Lisboa.
A escritora destacou ainda o legado que se perdeu quando Leopoldina foi afastada das decisões políticas. Seu pensamento já antecipava debates sobre educação, qualificação profissional e a preservação do território continental. “Se tivesse permanecido no centro do poder, o Brasil poderia ter trilhado um caminho mais sólido e estruturado”, avaliou Chaparro.
A autora e sua trajetória
Clotilde Chaparro, autora de cinco livros, já participou de sete Feiras Internacionais do Livro e conquistou prêmios literários nacionais e internacionais. Em sua obra sobre Leopoldina, não apenas resgata a história, mas devolve à imperatriz o papel que lhe cabe: o de protagonista silenciosa da Independência do Brasil.
Assim, o lançamento em Brasília foi mais que uma celebração literária: foi um reencontro da memória cultural do Brasil com suas raízes austríacas, numa noite em que diplomacia, literatura e história se entrelaçaram para homenagear uma mulher que sonhou o Brasil como nação livre.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa