Osmar Terra (Crédito: Pablo Valadares/ Câmara dos Deputados)
As ações e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltaram a dividir parlamentares brasileiros. Crescem as críticas às ameaças de intervenções ou pressões sobre países como Venezuela, Groenlândia, Canadá e Irã, além do impacto dessas sinalizações sobre a União Europeia e o sistema multilateral. Para parte dos parlamentares, a imprevisibilidade se transformou em método político, ampliando a insegurança nos mercados globais e tensionando regras internacionais de soberania e governança.
Osmar Terra: mudança de referências globais
Para o deputado Osmar Terra (PL/RS), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, o momento atual representa uma inflexão histórica na política internacional. Na avaliação do parlamentar, os Estados Unidos buscam recuperar um espaço de liderança que vinha sendo perdido. “É natural que a maior potência do mundo tente se reposicionar quando percebe que estava sendo engolida por políticas globalistas e prejudicada economicamente”, afirmou.
Ações de interesse nacional
Segundo Terra, as medidas adotadas por Trump devem ser interpretadas como ações de interesse nacional. “Ele está tentando sobreviver como país e reocupar um lugar de liderança mundial”, disse.
Venezuela e o debate sobre soberania
O deputado é categórico ao rejeitar o argumento de soberania no caso venezuelano. Para ele, o regime de Nicolás Maduro não pode ser tratado como legítimo. “É uma ditadura sanguinária, que roubou eleições, esmagou a oposição e manteve milhares de presos políticos”, afirmou. Osmar Terra sustenta que a soberania da Venezuela foi perdida há muito tempo, com influência direta de Cuba, Rússia e China sobre o petróleo e a segurança do país, além de acusações de envolvimento do regime com o narcotráfico internacional.
Brizola, EUA e contradições históricas
Ao comentar referência feita pelo deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS) a Leonel Brizola, Osmar Terra lembrou uma contradição histórica. “O Brizola sempre foi crítico dos Estados Unidos, mas quando terminou o exílio, o primeiro país que o acolheu foram os EUA”, destacou, para ilustrar a complexidade das relações internacionais além do discurso ideológico.
Europa, Groenlândia e América Latina
O parlamentar também avalia que as tensões com a Europa refletem uma cobrança histórica desde a Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos tiveram papel decisivo no conflito. No caso da Groenlândia, Terra aponta uma questão estratégica ligada à segurança global. Já em relação ao Canadá e à América Latina, afirma que Trump busca “reorganizar o tabuleiro”, reforçando alianças tradicionais e reduzindo dependências consideradas desfavoráveis aos interesses americanos.
Brasil e Irã no foco das críticas
Osmar Terra critica a postura do governo brasileiro, que considera cada vez mais hostil aos Estados Unidos, e aponta contradições na política externa. Para ele, o Brasil evita condenar regimes autoritários, como o do Irã, acusado de repressão violenta à população e colapso econômico. “Os Estados Unidos acabam exercendo, de alguma forma, um papel de guardião da democracia”, acentuou.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa