Na foto: Da esquerda para direita :Presidente da ACI Panambi – RS, Angelin Adams; Senador gaúcho Luiz Carlos Heinze (PP); Presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Rio Grande do Sul – ACERGS e Vice-Presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil ACEBRA, Roges Pagnussat; Deputado Pedro Wetsphalen;CEO Presidente da Kepler Weber, Bernardo Nogueira;Vereador de Panambi , Altair de Andrade Rocha. (Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)
Em tempos de polarização que tantas vezes desviam o país do essencial, a sessão solene na Câmara dos Deputados, proposta por Pedro Westphalen (PP/RS), foi um raro respiro de convergência. O tema não foi ideológico nem partidário: tratou-se de reconhecer a relevância estratégica da armazenagem de grãos para a economia nacional. E a cidade de Panambi, com sua tradição industrial e a força da Kepler Weber, foi citada como símbolo desse desenvolvimento.
O discurso de Pedro Westphalen

O deputado ressaltou que “falar de silos é falar de soberania”. Para ele, o agro brasileiro responsável por mais de 25% do PIB e por alimentar o Brasil e parte significativa do mundo depende da capacidade de armazenar para garantir preços justos, reduzir perdas e preservar a produção. Westphalen destacou que a agricultura já responde por dois em cada cinco pratos de comida do planeta e que a armazenagem é o elo que transforma suor em resultado econômico.
A visão de Bohn Gass

Representando o PT gaúcho, Bohn Gass trouxe ênfase ao caráter público da política de armazenagem. Defendeu estoques reguladores e lembrou que a capacidade de estocar permite ao produtor disputar preços em melhores condições. Falou ainda da importância de Panambi, que além da indústria de silos, se destaca pela irrigação, essencial para enfrentar os impactos do clima. Para ele, planos safra consistentes e políticas ambientais ligadas à conservação do solo são estratégicos para o futuro.
João Augusto Nardes, do TCU

Ex-deputado e hoje ministro do TCU, João Augusto Nardes recordou lutas passadas, como a securitização da dívida agrícola em 1999, e alertou para a situação dramática vivida por milhares de produtores gaúchos após secas e enchentes. Segundo ele, 61% dos agricultores brasileiros não têm armazenagem adequada e podem ser obrigados a vender grãos rapidamente, com prejuízo. Relembrou que, em 40 anos, o RS perdeu milhões de habitantes justamente pela fragilidade da política agrícola e cobrou soluções urgentes, incluindo a liberação de recursos do Fundo Social.
A defesa de Heinze

O senador Luiz Carlos Heinze (PP/RS) foi direto: sem crédito acessível e políticas públicas eficazes, a armazenagem não avança. Citou experiências dos anos 1970, quando programas de financiamento permitiram a expansão dos silos privados com juros subsidiados. Disse que Panambi simboliza a tradição gaúcha de indústria agrícola. Heinze também lembrou a securitização e defendeu novos instrumentos de apoio, sobretudo no Centro-Oeste, hoje motor do crescimento do agro, mas carente de infraestrutura de armazenagem.
Um ponto de encontro

Apesar de diferenças políticas, todos os discursos convergiram em um ponto: o Brasil produz muito, mas ainda perde demais por falta de armazenagem adequada. Essa é uma questão que une governistas e opositores, ruralistas e defensores da agricultura familiar, empresários e sindicatos.
Sopro de lucidez
O ato foi mais do que uma homenagem a Panambi. Foi um lembrete de que, por vezes, a política pode se voltar ao que importa: a construção de soluções para os desafios concretos da economia. Silos e armazéns podem parecer temas técnicos, mas são, de fato, peças centrais da soberania nacional. Em um país onde ideologias frequentemente sufocam o debate racional, ver deputados, senadores e até ministros de órgãos de controle unindo vozes em torno de uma pauta produtiva é um sopro de lucidez.
Mais consensos e menos paixões
Se o Brasil quiser continuar sendo potência agrícola e alimentar o mundo, precisará mais de consensos como esse, e menos de paixões que dividem e paralisam.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa