
O deputado Eduardo Bolsonaro segue nos Estados Unidos, utilizando a Primeira Emenda da Constituição americana como escudo para discursos que afrontam diretamente a soberania nacional. Suas falas recentes incluem a hipótese de uso de caças F-35 e navios de guerra em eventual intervenção no Brasil. Para ele, caberia aos EUA – “farol da liberdade” – não reconhecer eleições brasileiras se fossem realizadas sob “censura”. A retórica, ultrapassa os limites. Chega ao ponto de admitir que “vale a pena” cogitar uma atuação militar americana em território brasileiro, sob a justificativa da defesa da liberdade.
Lula reage: “traição à pátria”
As declarações provocaram indignação do presidente Lula, que pediu a cassação do mandato do deputado e o enquadramento por traição à pátria. Lula comparou Eduardo a Joaquim Silvério dos Reis, delator da Inconfidência Mineira, afirmando que o parlamentar atua contra os 225 milhões de brasileiros ao implorar por ações de Donald Trump contra o Brasil. Para o presidente, a permanência do deputado no Congresso é “um escárnio”, e a resposta deve ser institucional, com processos legais e políticos.
Risco institucional e diplomático
As falas de Eduardo Bolsonaro ultrapassam o campo da retórica política e passam a gerar preocupações diplomáticas. Parlamentares – inclusive alguns de sua própria base – avaliam que o tom adotado ameaça a imagem internacional do Brasil e abre brechas para retaliações comerciais, sanções diplomáticas ou desgaste em organismos multilaterais. O uso de lobby internacional para influenciar decisões internas, como tarifas e políticas judiciais, é visto como perigoso e nocivo ao interesse nacional.
O jogo interno
Dentro do Congresso, as declarações funcionam como munição de embate. Para opositores, representam a prova de que setores da direita radical não respeitam as instituições brasileiras. Para aliados, abrem fissuras: há quem considere que a postura de Eduardo fragiliza o campo bolsonarista ao expor excessos que podem comprometer a estratégia eleitoral. O resultado é um campo minado que, além de desgastar a política nacional, compromete a credibilidade externa do Brasil.
Considerações finais
A fronteira entre liberdade de expressão e traição à pátria nunca esteve tão exposta. Se, por um lado, Eduardo Bolsonaro tenta vestir-se de defensor da liberdade, por outro, flerta com o inaceitável: pedir intervenção estrangeira contra o próprio país. Em qualquer democracia sólida, esse gesto não é apenas politicamente imprudente, mas institucionalmente insustentável.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa