
Em um momento de rearranjos políticos, tensões institucionais e antecipação do debate eleitoral, a oposição no Congresso se reorganiza de olho, na eleição de 2026. Líder da oposição na Câmara, o deputado federal Luciano Zucco (PL/RS) faz uma leitura direta do atual cenário político, abordando a correlação de forças no Parlamento, a relação deteriorada da oposição com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), os embates com o governo Lula e as articulações em curso no campo da direita. Ao analisar movimentos no Congresso e nos estados, com especial atenção ao Rio Grande do Sul, Zucco projeta um cenário de disputa aberta, no qual decisões tomadas agora tendem a influenciar de forma decisiva o próximo ciclo político nacional.
Centro-direita em crescimento
Zucco destaca que, apesar do discurso de enfraquecimento, a direita segue organizada e ampliando sua presença nos estados e no Parlamento. Ele avalia que a base conservadora está fortalecida e que os movimentos de migração partidária indicam um alinhamento cada vez maior do centro-direita, tanto na Câmara quanto no Senado, preparando o terreno para 2026.
Rio Grande do Sul como eixo da direita
O parlamentar destaca de forma enfática o Rio Grande do Sul como exemplo desse movimento. Segundo ele, “ no Rio Grande do Sul a oposição começou com quatro deputados federais e está terminando com sete”. Zucco revela que “já ligaram três deputados para o PL gaúcho ”, apontando que o fenômeno se repete em outros estados. Para ele, os números desmentem a narrativa de isolamento: “a grande maioria dos campeões de votos em 2022 foi da direita”, além do aumento de prefeitos alinhados ao campo conservador e da retração da esquerda.
Disputa eleitoral no estado
Zucco comenta o cenário eleitoral do Rio Grande do Sul, destacando os principais nomes que devem disputar posições-chave em 2026. Ele observa que “o candidato da esquerda hoje é Edegar Pretto (PT)” e que “Paulo Pimenta (PT) é candidato ao Senado”. Do lado da centro-direita, Zucco menciona o movimento do MDB, que lançará o vice de Eduardo Leite, Gabriel Souza, além de candidaturas do PSDB e do PDT. O deputado também projeta sua própria posição na disputa estadual, reforçando sua força e capital político acumulado ao longo dos anos. Como pré-candidato ao governo do Estado, Zucco se coloca atento às alianças e estratégias, avaliando que “cada movimento precisa ser estudado com cuidado”, refletindo sua perspectiva de manter a direita forte e competitiva no Rio Grande do Sul.
Capital político e trajetória
Seguro de sua trajetória, Zucco lembra que foi “o mais votado estadual e o mais votado federal”, e que chegou a ser cogitado para o Senado, “era o desejo do Bolsonaro”, embora tenha optado por avaliar o contexto estadual antes de qualquer decisão.
Tragédia no Sul e vivência política
Zucco comenta os impactos da tragédia que atingiu o Rio Grande do Sul e como ela influenciou sua atuação política. Ele lembra que presenciou situações extremas, dizendo que viu “gente morrendo na minha frente”, e ressalta que esses eventos evidenciam a importância de políticas públicas eficientes e respostas rápidas do Estado. Para o deputado, experiências como essa reforçam a necessidade de atenção à gestão de crises e à segurança da população, consolidando sua visão sobre a responsabilidade do governo e a atuação parlamentar diante de emergências no estado.
Estagnação econômica
Zucco faz uma avaliação crítica da economia do Rio Grande do Sul, destacando os desafios estruturais que limitam o crescimento do estado. Segundo ele, “que já foi conhecido como a Europa”, hoje o Rio Grande do Sul enfrenta um cenário de estagnação profunda: “há 20 anos é o estado que menos cresce”. O deputado enfatiza que essas dificuldades exigem políticas públicas mais eficazes e atenção estratégica do governo, reforçando a necessidade de ações coordenadas entre o Executivo estadual e o Congresso para superar os obstáculos ao desenvolvimento.
Apoio político ao Rio Grande do Sul
Apesar dos desafios, Zucco reforça que o Rio Grande do Sul conta com apoio político relevante. O deputado cita lideranças como “Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho Jr e Jorginho Mello” e afirma que o apoio ao estado “não vai faltar”, mesmo entre políticos que não fazem parte do PL. Segundo ele, essa rede de apoio é estratégica para fortalecer a presença da direita no estado e ampliar articulações em nível nacional, garantindo condições para disputar com competitividade as eleições de 2026.
Relação rompida com Hugo Motta
No Congresso, Zucco é categórico ao tratar da relação da oposição com o presidente da Câmara. Embora reconheça que Hugo Motta seja “agradável e respeitoso”, ele afirma que Motta “não foi justo com a oposição”, mesmo após receber todos os votos do grupo. Segundo Zucco, “hoje a chance de a oposição apoiar Hugo Motta é zero”, destacando que o rompimento se deu pelo descumprimento de acordos, fator que tornou inviável qualquer alinhamento futuro entre a oposição e o presidente da Câmara.
Anistia e quebra de acordos
Segundo Zucco, o principal ponto de ruptura foi o compromisso não cumprido de pautar a anistia. Ele afirma que não se tratava de garantir aprovação, mas de respeitar o acordo firmado com a oposição, o que, segundo Zucco, não ocorreu.
Governo Lula e o jogo do Congresso

Luciano Zucco avalia que o governo federal precisa se ajustar ao cenário político atual, no qual a centro-direita ganhou força no Senado e nos estados. Na visão do deputado, isso explica a mudança de estratégia do Planalto, que “tenta se adaptar a um Congresso menos alinhado e mais resistente às suas pautas”. Para ele, essa dinâmica evidencia que o governo Lula enfrenta um Parlamento mais crítico, exigindo negociação constante e atenção às forças da oposição, que permanecem ativas e articuladas em todo o país.
Segurança pública no centro do debate
Para Zucco, a segurança pública será um dos principais temas da campanha eleitoral. Ele afirma que a PEC da Segurança interessa ao centro-direita e tende a avançar, conduzida pelo centrão, por ser uma pauta clara e conectada ao enfrentamento das facções.
Flávio Bolsonaro como aposta presidencial
Zucco destaca que a definição do nome do campo bolsonarista para 2026 já está clara. O deputado afirma que “o nome indicado por Bolsonaro é Flávio Bolsonaro” e enfatiza o perfil do filho do ex-presidente como um diferencial na disputa. Segundo ele, “Flávio tem um perfil mais calmo e consegue dialogar com esquerda, centro e direita”, característica que, na opinião do parlamentar, pode ser decisiva na corrida presidencial. O deputado reforça que essa capacidade de conciliar diferentes forças políticas dá a Flávio uma vantagem estratégica: “essa habilidade de conversar com todos os lados pode fazer diferença em 2026”, disse Zucco, traçando o cenário de um pleito competitivo e ainda em formação.
Tarcísio e a força do bolsonarismo
Zucco reconhece que Tarcísio de Freitas era um nome forte e competitivo, mas ressalta que “qualquer nome indicado por Bolsonaro se torna competitivo”, destacando que o capital político do ex-presidente segue central no campo da direita.
Alianças e construção para 2026
Segundo Zucco, o partido já trabalha a candidatura de Flávio Bolsonaro, articulando alianças com Progressistas, União Brasil e Republicanos, além da discussão sobre um vice fora do PL, como parte da estratégia para ampliar o arco de apoio.
Um cenário aberto e em transição
Ao final, Zucco define o momento político como de transição, tensão e reorganização. Entre críticas da oposição à condução da Câmara, disputas eleitorais e articulações ainda em curso, sustenta que a direita permanece forte, que o cenário de 2026 está aberto e que decisões tomadas agora, especialmente no Rio Grande do Sul, terão impacto direto na construção nacional do próximo ciclo político.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa