Justiça (Crédito: Dorivan Marinho/SCO/STF)
Jair Bolsonaro chegou ao ponto mais baixo de sua trajetória política. A imagem de um ex-presidente tentando romper tornozeleira, e confessando isso em vídeo, é devastadora. Nenhum discurso religioso, ataque ao STF, ou narrativa de perseguição, consegue sobreviver ao fato objetivo.
Primeira grande crise
O bolsonarismo vive sua primeira grande crise identitária. Sem líder, sem coordenação, sem estratégia. A comunicação desmoronou e ficou entregue a filhos nervosos, influenciadores histéricos, e um núcleo que ainda insiste em colocar Deus para justificar atos humanos. Para iniciar a semana, mais um complicador, os ministros da primeira turma, por unanimidade, mantiveram a decisão de Alexandre de Moraes, para que o ex-presidente continue preso preventivamente.
Não oferece solução
Enquanto o Brasil tenta discutir economia, tarifas, segurança pública, STF e reformas, o movimento “sequestra” o debate nacional. Uma parcela do país vive em torno de uma retórica anti-institucional, que não oferece solução para nada.
Direita forte
A direita segue forte. Bolsonaro, não.
Agora é uma disputa aberta para substituir um líder que se tornou peso, não força. A história política brasileira registra esta semana como o momento em que o mito se fragilizou. Nas lideranças da direita, o momento é de cautela e em busca de uma liderança que possa agregar à força bolsonarista, agora, em queda.
Impacto imediato
A prisão preventiva de Jair Bolsonaro alterou toda a agenda da semana em Brasília. Nenhuma outra notícia, da COP ao tarifaço de Trump, teve espaço diante da repercussão do vídeo em que o ex-presidente descreve como tentou romper a tornozeleira.
Movimento político desordenado
Aliados ficaram sem narrativa. A defesa recorreu ao STF pedindo regime domiciliar, mas Alexandre de Moraes rechaçou qualquer discussão diante do risco de fuga. A comunicação bolsonarista vive seu pior momento desde 2019.
Repercussão internacional
AP, New York Times, veículos europeus e emissoras portuguesas como a SIC, onde fiz um comentário, dedicaram longos blocos à prisão. O Brasil voltou ao cenário global pelo seu capítulo mais conturbado.
Temas ofuscados
A retirada das tarifas sobre mais de 200 produtos brasileiros, café, carne, cacau, açaí, as negociações da PEC da Blindagem, o debate sobre o PL Antifacção e a indicação de Jorge Messias ao STF, ficaram todos soterrados pela crise.
Perspectiva política
Bolsonaro saiu desta semana menor. Sem força para liderar sua base, isolado, fragilizado e, dependente da retórica religiosa de apoiadores. A direita, no entanto, continua forte. Há uma disputa aberta por sucessão.
Avanço parcial, mas insuficiente
A decisão de Donald Trump de ampliar as isenções à tarifa de 40% beneficia setores-chave do Brasil, como café, carne e frutas, mas deixa de fora produtos industriais relevantes, como calçados e café solúvel. Para Welber Barral, Árbitro da Organização Mundial do Comércio e do Mercosul, “o gesto atende ao interesse dos EUA em conter a inflação e não elimina riscos: seguem abertas investigações da Seção 301 e tarifas sobre aço, alumínio e outros. É um avanço parcial positivo para o agro, mas insuficiente e marcado pela imprevisibilidade da política comercial de Trump”.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa