Datafolha mostra Lula à frente e cenário ainda polarizado

Lula e Flávio Bolsonaro, pesquisa Data Folha (Crédito: Banco de Imagens Repórter Brasília)

A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20) aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança da corrida presidencial de 2026, com 41% das intenções de voto no primeiro turno. Em segundo lugar aparece o senador Flávio Bolsonaro, com 31%.

Os demais pré-candidatos aparecem distantes dos dois líderes. Ronaldo Caiado e Renan Santos registram 3% cada. Romeu Zema, Aécio Neves, Augusto Cury e Samara Martins têm 2%. Joaquim Barbosa, Cabo Daciolo e Rui Costa Pimenta somam 1% cada.

Brancos e nulos representam 7% e os indecisos, 4%.

No segundo turno, Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro. Em outros cenários testados, o presidente venceria Caiado por 47% a 41% e Zema por 48% a 39%.

O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre os dias 17 e 19 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

Os principais pontos da análise do cientista poíitico Bruno Silva

Para o cientista político Bruno Silva, a pesquisa revela dois aspectos centrais.

  1. Lula mantém a liderança

Segundo o analista, o dado mais relevante é a manutenção da vantagem de Lula, sem alterações significativas em relação aos levantamentos anteriores. Bruno observa, porém, que a pesquisa foi realizada antes de absorver completamente os possíveis efeitos políticos da operação da Polícia Federal envolvendo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner.

Na avaliação dele, ainda é cedo para medir eventual impacto eleitoral desse episódio, especialmente porque o caso ainda está em fase inicial de investigação.

  1. Flávio recua, mas segue competitivo

Bruno Silva destacou que Flávio Bolsonaro apresentou uma pequena redução nas intenções de voto em comparação com pesquisas anteriores, saindo de um patamar próximo de 35% para 31%.

Para o cientista político, a queda não é suficiente para alterar o quadro geral da disputa, mas pode indicar algum efeito do noticiário recente envolvendo investigações relacionadas ao caso Banco Master e personagens ligados ao campo bolsonarista.

Polarização continua forte

O principal diagnóstico do analista é que o cenário permanece “cristalizado” ou “calcificado”, expressão usada para descrever um eleitorado com preferências já bastante consolidadas.

Segundo Bruno Silva, as pesquisas mais recentes — incluindo Datafolha, Quaest, AtlasIntel e CNT — apontam para a continuidade da polarização entre o lulismo e o campo bolsonarista, sem sinais claros de fortalecimento de uma terceira via.

Terceira via segue sem espaço

Embora alguns nomes busquem se apresentar como alternativa, como Caiado, Zema e até eventuais candidaturas de Aécio Neves ou Joaquim Barbosa, Bruno avalia que nenhum deles conseguiu, até o momento, romper a barreira dos baixos índices de intenção de voto.

O analista observou que o crescimento proporcional mais expressivo foi o de Renan Santos, mas ainda em um patamar reduzido, insuficiente para alterar a estrutura da disputa.

Caso Master ainda pode produzir efeitos

Bruno Silva ressaltou que as investigações relacionadas ao Banco Master atingem figuras de diferentes correntes políticas, citando nomes associados à direita, ao centro e à esquerda.

Na avaliação dele, o desenrolar das investigações poderá produzir desgastes políticos ao longo dos próximos meses, mas ainda não há elementos para afirmar que isso provocará mudanças substanciais no comportamento dos eleitores de Lula ou de Flávio Bolsonaro.

Conclusão da análise

A leitura apresentada por Bruno Silva à CBN é de que a disputa presidencial segue marcada pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Apesar do avanço das investigações envolvendo personagens relevantes do cenário político, o cientista político entende que os eleitores dos dois polos permanecem relativamente fiéis às suas preferências, enquanto as alternativas de terceira via continuam sem demonstrar força suficiente para alterar o quadro eleitoral neste momento.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa