Daniel Balaban (Crédito: EBC)
O Dia Mundial da Alimentação, criado há 80 anos, deveria ser motivo de orgulho. Mas, em pleno século XXI, continua sendo um alerta: mais de 600 milhões de pessoas passam fome no mundo, observa Daniel Balaban, diretor do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos, da ONU. “Há dinheiro para matar, mas não há dinheiro para salvar vidas”. O problema não é a falta de comida, mas o acesso desigual aos alimentos, consequência direta de conflitos, crises econômicas e desastres climáticos.
O Brasil e o risco de retrocesso
O Brasil voltou a sair do mapa da fome, mas o risco de retorno é permanente. “Somos grandes produtores de grãos, carnes e frutas, e ainda assim convivemos com filas em cozinhas solidárias e com crianças desnutridas nas periferias”, adverte Balaban.
Política de Estado
Para Daniel Balaban “o combate à fome precisa ser uma política de Estado, não de governo. Cada mudança de gestão interrompe programas bem-sucedidos e desmobiliza ações essenciais. A experiência internacional mostra que países que venceram a fome mantêm políticas contínuas, estáveis e integradas entre educação, renda e meio ambiente”.
A fome tem pressa, o planeta não
A fome está ligada a fatores econômicos e ambientais. Secas e enchentes cada vez mais intensas reduzem safras e expulsam famílias do campo. A destruição ambiental cobra seu preço: menos água, menos solo fértil e menos comida. A COP30, que será realizada em Belém, coloca o Brasil no centro das discussões sobre sustentabilidade e segurança alimentar. Balaban lembra que o mundo gasta 2,7 trilhões de dólares por ano em armamentos e apenas 2% desse valor bastariam para erradicar a fome global. É o retrato cruel da humanidade: investimos em destruição, não em solidariedade.
Compromisso político e moral

Na Câmara, o deputado Bohn Gass (PT/RS) lembrou que a fome é resultado de escolhas políticas. “Fome não é destino, é decisão. Duas vezes, com Lula e Dilma, o Brasil saiu do mapa da fome. E é para isso que estamos lutando novamente”. O parlamentar destacou que um em cada 11 habitantes do planeta ainda passa fome e cobrou seriedade no debate: “O que há para celebrar se milhões ainda dormem sem comer? ”.
Projetos que fragilizam meio ambiente
Bohn Gass também alertou para o papel do Parlamento. “Quando votamos projetos que fragilizam o meio ambiente ou ampliam o uso de venenos, estamos votando contra a comida limpa e saudável. ” Ele destacou o empenho do presidente Lula e do ministro Wellington Dias, que vêm conduzindo programas sociais eficazes. Em junho de 2025, um milhão de famílias deixaram o Bolsa Família, e 80% das novas vagas de emprego foram preenchidas por beneficiários do Cadastro Único.
O papel do Congresso
Para Bohn Gass, o Dia Mundial da Alimentação deve ser um chamado à ação. “Cabe ao Parlamento garantir recursos, taxar os super-ricos e reforçar as políticas de inclusão. ” O deputado concluiu lembrando que o Brasil voltou a ter respeito internacional, com Lula defendendo na FAO e na ONU o direito à alimentação como prioridade global. O desafio é o Brasil, celeiro do mundo, provar que também é capaz de alimentar, com dignidade, todos os brasileiros.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa