
O debate eleitoral começa a ganhar contornos mais nítidos à medida que a oposição ao presidente Lula enfrenta dificuldades para apresentar um nome competitivo e unificado. Na avaliação do deputado federal Bohn Gass (PT/RS), o problema da direita não é apenas de nomes, mas de estratégia, coesão e timing político.
Lula entra em campo como “favorito”
Para Bohn Gass, Lula chega ao processo eleitoral com uma vantagem estrutural. Em metáfora direta, o deputado compara a política ao futebol: não se escolhe adversário para levantar taça, monta-se um time capaz de vencer qualquer disputa. “O Lula é um candidato tão forte que ganha independentemente de quem a direita apresentar”, afirma. Na leitura petista, o bolsonarismo perdeu força política e eleitoral e já não é mais visto como aposta segura nem mesmo pelos setores que historicamente o apoiaram.
Bolsonarismo em xeque
Segundo Bohn Gass, o sistema financeiro já teria feito sua leitura: Jair Bolsonaro não tem viabilidade eleitoral. Isso explicaria o movimento de parte da elite econômica em buscar um “candidato alternativo” à direita, com discurso mais moderado, capaz de dialogar com o centro sem abandonar uma agenda liberal. Nesse contexto, surge o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP).
Tarcísio entre o centro e a direita
Tarcísio aparece como um nome com “verniz de centro”, mas com programa claramente alinhado à direita. Ainda assim, sua posição segue ambígua. Publicamente, mantém o discurso de que disputará a reeleição em São Paulo. Nos bastidores, porém, seus movimentos são acompanhados com atenção por aliados, adversários e pelo mercado político.
Flávio Bolsonaro e a disputa interna
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL/RJ), já anunciada, adicionou tensão ao campo conservador. O senador despertou reações tanto no entorno de Bolsonaro quanto no de Tarcísio. A visita do governador ao ex-presidente, preso em Brasília, chegou foi anunciada, mas foi adiada, o que foi interpretado como tentativa de evitar um compromisso precoce com a estratégia eleitoral da família Bolsonaro.
Centrão e mercado fazem contas
No Centrão e no empresariado da Faria Lima, há forte desconfiança sobre a competitividade de Flávio Bolsonaro, sobretudo por causa do alto índice de rejeição. Avaliações internas indicam que Tarcísio teria mais capacidade de ampliar eleitorado, enquanto Flávio enfrenta dificuldade para unificar centro, direita e extrema direita. Ainda assim, o tempo joga contra todos: os prazos eleitorais se aproximam e a fragmentação da direita segue evidente.
Senador na coordenação de campanha

O pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro, terá o ex-ministro de Bolsonaro e senador, Rogério Marinho (PL/RN) como coordenador da campanha neste ano. Com isso, o parlamentar abre mão da tentativa de se candidatar ao governo do estado do Rio Grande do Norte.
Expectativa e incerteza
No campo petista, a leitura é clara: a oposição continua desorganizada, dividida e refém das próprias disputas internas. Para Bohn Gass, esse cenário reforça a posição de Lula como favorito. Do outro lado, a direita corre contra o relógio, aguardando definições, alianças improváveis e desdobramentos judiciais que podem, a qualquer momento, mudar o jogo.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa