Presidente entra em campo para organizar o PT e construir palanques fortes nos estados-chave

Por Edgar Lisboa

Lula organiza PT no País (Ricardo Dtuckert/PR)
Lula organiza PT no País ( foto / Ricardo Stuckert, PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia, nas próximas semanas, uma nova e decisiva fase da sua articulação política com vistas às eleições de 2026. Superada a etapa mais intensa das discussões sobre trocas ministeriais e da agenda internacional, o foco agora se volta para dentro: a organização do Partido dos Trabalhadores em nível nacional e a definição de palanques estaduais fortes, capazes de sustentar uma campanha competitiva à reeleição.

A avaliação no Planalto é clara: não basta ter um projeto nacional consistente se ele não estiver ancorado em alianças sólidas nos estados, especialmente nos maiores colégios eleitorais do país. Por isso, Lula decidiu assumir pessoalmente a coordenação política dessa etapa, atuando como articulador direto junto a partidos aliados e lideranças regionais.

Sudeste no centro da estratégia eleitoral

O Sudeste concentra mais de 43% do eleitorado brasileiro e, por isso, tornou-se prioridade absoluta para o presidente e para o PT. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro estão no topo da lista de preocupações e de investimentos políticos.

São Paulo: Haddad é a aposta, mas há plano B

Em São Paulo, o desejo do PT é claro: Fernando Haddad. O ministro da Fazenda é considerado o nome natural do partido para liderar o palanque paulista. No entanto, Haddad tem reiterado publicamente que prefere permanecer no comando da economia e dedicar-se à construção do plano de governo da campanha de Lula.

Interlocutores próximos ao ministro afirmam que, caso venha a disputar uma eleição em 2026, Haddad teria preferência por uma vaga ao Senado, e não pelo governo do estado. Ainda assim, dentro do PT há quem avalie que ele dificilmente recusaria um pedido direto do presidente.

Diante das incertezas, o partido já trabalha com planos alternativos, inclusive com nomes fora do PT. O ministro Márcio França (PSB) já se colocou à disposição, embora não seja unanimidade entre os petistas. Simone Tebet também aparece no radar, mas teria que mudar o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo, um movimento considerado complexo.

Há ainda setores do PT que mencionam Geraldo Alckmin, mas o próprio vice-presidente já deixou claro que prefere permanecer onde está e repetir a chapa com Lula. Dentro do partido, cresce a avaliação de que não se deve mexer no que está funcionando.

Minas Gerais: o palanque mais difícil

Se São Paulo é desafiador, Minas Gerais é visto como o cenário mais complexo para o governo. O nome dos sonhos de Lula é o do senador Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado. Pacheco, no entanto, demonstra resistência e condiciona qualquer decisão a mudanças estruturais.

Hoje filiado ao PSD, partido que também abriga o vice-governador Mateus Simões, potencial candidato da direita, Pacheco teria que trocar de legenda. Lula já teria articulado a possibilidade de sua ida para o MDB, de Baleia Rossi, mas o senador exige mais do que uma legenda: quer garantias políticas e controle do processo.

Uma das ideias em debate é oferecer a ele o comando do diretório regional em Minas. Paralelamente, surgiram outros nomes, como o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), mas as conversas ainda não avançaram. Lula quer definir o palanque mineiro ainda em fevereiro, consciente de que Minas pode ser decisiva no resultado nacional.

Rio de Janeiro: cenário mais favorável, mas com cautela

No Rio de Janeiro, o cenário é considerado mais tranquilo. O prefeito Eduardo Paes é o principal aliado e deve liderar o palanque de Lula no estado. Ainda assim, uma ala do governo teme que o apoio não seja tão empático quanto o esperado.

Apesar dessas ressalvas, Lula tem demonstrado confiança. A aliados, o presidente afirma estar tranquilo no Rio, convencido de que o estado garantirá um palanque competitivo em 2026.

PT discute candidato próprio ao GDF

O Partido dos Trabalhadores (PT/DF) vem trabalhando para lançar um candidato próprio ao Governo do Distrito Federal em 2026. Em 2025, lideranças da legenda informaram que houve aprovação, por unanimidade, de pré-vias internas para escolher o candidato ao GDF, ou seja, o PT formalizou o processo interno para decidir seu nome.

Isso indica que o PT não pretende abrir mão de ter sua própria chapa majoritária no DF, mesmo diante do cenário competitivo e fragmentado que marca a sucessão no Buriti.

Nomes em discussão

Vários nomes vêm sendo mencionados dentro e fora do PT:

Leandro Grass — presidente do Iphan, sociólogo e ex-deputado distrital, recentemente filiado ao PT e já apresentado publicamente como pré-candidato ao governo do DF pelo campo progressista. Ele tem defendido a ideia de que “Brasília tem que ser refundada”, indicando um discurso de crítica à atual gestão e projetos alternativos de mobilidade urbana e políticas públicas.

Geraldo Magela — ex-deputado federal e distrital, já anunciou que coloca seu nome à disposição do PT como opção para disputar o governo do DF em 2026, motivado por uma avaliação interna de que o partido precisa reforçar sua presença e identidade local.

Esses movimentos mostram que o PT no DF não apenas terá candidatura, mas está debatendo mais de um nome potencial, abrindo espaço para diferentes setores da militância participarem da escolha.

Outros fatores na disputa

O cenário local é competitivo. Pesquisa recente colocava nomes como Celina Leão (PP) e Ricardo Cappelli (PSB) entre potenciais candidatos ao GDF, além de Grass, o que indica que o PT terá que disputar espaço tanto no campo progressista quanto contra candidaturas tradicionais e de centro-direita.

O atual governador Ibaneis Rocha (MDB) não pode se reeleger, já que cumpre dois mandatos consecutivos, o que abre a eleição para vários nomes competitivos incluindo dentro do PT e da base aliada nacional. Ibaneis Rocha garantiu esta semana que sewrá candidato ao Senado.

Estratégia partidária

Ter candidato próprio ao governo do DF se insere numa estratégia mais ampla do PT nacional, que busca fortalecer palanques regionais em pelo menos 14 unidades federativas para apoiar a reeleição de Lula e ampliar sua bancada no Congresso em 2026.

No contexto de Brasília, isso significa que o PT quer marcar presença política expressiva, não apenas em uma disputa simbólica, mas com candidaturas competitivas e coerentes com o projeto político nacional do partido.

Resumindo, PT no DF

O PT no Distrito Federal deve lançar candidato próprio ao governo em 2026.
Há mais de um nome em discussão, com destaque para Leandro Grass e Geraldo Magela.
Já foi aprovado processo de prévias internas para escolha do candidato.
O cenário no DF é competitivo, com vários nomes de outras legendas disputando o espaço, e o PT busca se consolidar como protagonista no campo progressista.

Rio Grande do Sul: diálogo com o PDT é prioridade

No Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, a estratégia de Lula passa pela reconstrução de pontes históricas no campo progressista. O deputado federal Bohn Gass (PT/RS) tem sido uma das principais vozes desse processo.

Em entrevista à coluna Repórter Brasília, Bohn Gass deixou claro que o PT trabalha para construir um palanque amplo, com diálogo aberto com o PDT.

“Nós estamos em diálogo com o PDT para a gente ter, sim, uma aproximação. É fundamental que a gente esteja junto, e esse processo ainda está em conversações”, afirmou.

O deputado explicou que, embora o PT tenha feito ajustes internos, o nome do partido para a disputa estadual segue sendo Edegar Preto

“O Edegar continua candidato, ele é o nosso candidato. Nós estamos trabalhando para construir uma chapa potente de palanque do Lula no Rio Grande do Sul. Queremos o PDT junto nisso, porque precisamos ter força para ganhar no estado.”

Questionado sobre os nomes do PDT, Bohn Gass reconheceu que a legenda trabalha com a pré-candidatura de Juliana Brizola, mas reforçou que o diálogo segue aberto.

E sintetizou o espírito da articulação com uma frase que ecoa a tradição histórica da esquerda gaúcha:

“A boa política do Lula e do Brizola nos ensina que nunca podemos interromper diálogos entre a esquerda,” acentuou o parlamentar.

Senado: a batalha paralela de Lula em 2026

Além dos palanques estaduais, Lula trata o Senado como prioridade estratégica absoluta. O temor no Planalto é que a direita conquiste maioria a partir de 2027, o que poderia travar completamente um eventual novo mandato presidencial.

Por isso, o presidente já escalou o que chama de “tropa de choque” para a disputa das vagas ao Senado. A meta é eleger ao menos 30 senadores aliados, num universo de 54 cadeiras em disputa.

Entre os nomes já definidos ou em articulação estão:

Gleisi Hoffmann, pelo Paraná;

Rui Costa e Jaques Wagner, na Bahia, em chapa puro-sangue;

Simone Tebet e Marina Silva, cotadas para São Paulo;

Benedita da Silva, no Rio de Janeiro;

Marília Campos, prefeita de Contagem, em Minas Gerais.

A preocupação vai além da governabilidade cotidiana. Caso seja reeleito, Lula terá direito a indicar dois ou três ministros para o Supremo Tribunal Federal, e precisará de um Senado menos hostil para garantir a aprovação desses nomes.

Lula no centro da articulação

O desenho que começa a se consolidar é claro: Lula será o principal fiador político do PT e da frente progressista em 2026. Ele entra de vez no jogo para definir palanques, arbitrar conflitos, costurar alianças e evitar divisões que possam fragilizar sua campanha.

Mais do que uma eleição, o presidente trata 2026 como uma disputa sobre o futuro do projeto político iniciado em 2003, agora, ancorado na reconstrução institucional, na defesa da democracia e na capacidade de diálogo entre forças que pensam diferente, mas caminham no mesmo campo.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa