INSS abandona o balcão e empurra aposentados para o aplicativo

Deputado Alceu Moreira

A autorização para o trabalho remoto de servidores do INSS escancarou uma crise silenciosa no atendimento à população mais vulnerável do país. Aposentados e pensionistas enfrentam filas, portas fechadas e orientações irreais para resolver problemas pelo celular, enquanto agências funcionam com quadro reduzido ou sem atendimento presencial efetivo. Diante desse cenário, o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS) anunciou que vai recorrer ao Congresso para barrar a medida.

Home office e portas fechadas

Segundo o parlamentar, cerca de 70% das unidades físicas do INSS no país registram reclamações pela falta de funcionários, o que tem limitado ou até impedido o atendimento presencial. No Rio Grande do Sul, a situação é ainda mais sensível: 43% dos servidores seguem em regime de home office, o que, na avaliação do deputado, contribui diretamente para o colapso do atendimento nas agências.

Idosos e população vulnerável penalizados

Alceu Moreira alerta que a política de incentivo ao atendimento digital ignora a realidade de grande parte dos usuários do INSS.
“Tem agência que passou a restringir o atendimento e, por incrível que pareça, orienta o cidadão a resolver tudo por aplicativo. Imagine dizer isso a um idoso que mora na zona rural, a quilômetros de distância de uma agência e sem acesso à internet”, critica.

Para o deputado, a medida aprofunda a exclusão social e cria obstáculos deliberados para quem depende de serviços essenciais, como bloqueio e desbloqueio de benefícios previdenciários.

Servidores longe das agências

Outro ponto levantado pelo parlamentar é o distanciamento físico entre servidores e as cidades onde estão oficialmente lotados. Há relatos, segundo ele, de funcionários que não residem mais nos municípios de atuação e até de casos de mudança para o exterior, mantendo vínculo funcional em regime remoto.

Fim de uma medida emergencial

Alceu Moreira reconhece que o trabalho remoto teve papel durante a pandemia, mas afirma que sua manutenção não se justifica no atual cenário.
“Trabalhar de casa podia fazer sentido naquele momento. Agora, não mais. Alegam que houve ganho de eficiência, mas isso não se confirma na vida real. Quem paga essa conta é o cidadão, que fica sem atendimento”, afirma.

Medida no Congresso

Com o PDL, o deputado pretende sustar os efeitos da portaria e restabelecer o atendimento presencial pleno, defendendo que o INSS cumpra sua função social. Para ele, a política atual representa “um desserviço ao povo brasileiro” e precisa ser revista com urgência.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa