Fragata Tamandaré: agora sim, acertamos

O F200 (Fragata Tamandaré) e o F201 (Fragata Jerônimo de Albuquerque) no estaleiro militar. Tecnologia de ponta da Marinha brasileira. Imagem: Marinha do Brasil

Por Rogério Lisbôa

Falei no último artigo sobre o nosso porta-aviões São Paulo, já afundado por estar obsoleto, em 2023. Agora destaco um gol, bola dentro, a nossa Marinha do Brasil fazendo bonito. Equilíbrio. Temos que ser justos. Vacilo de um lado, visão do outro.

Porque acertaram? A Fragata Tamandaré F200 é a primeira de uma série de navios de uma nova classe de fragatas da Marinha brasileira. Fragata além de designar o nome do navio, apresenta a classe que ele faz parte e características desse tipo de embarcação.

O navio tem cerca de 3.500 toneladas e possui pista de pouso para helicóptero de combate (heliponto); radares; sensores e armamentos de última geração. Um navio escolta, para proteção de outras embarcações, mas com capacidade importante de combate no mar. Esta preparada para atuar em todos ambientes de guerra em água salgada ou doce, para enfrentamentos de superfície, aéreo e até submarino. Pode operar com até 130 militares e atingir velocidade de aproximadamente 50 km/h, considerada veloz para esse tipo de embarcação de combate.

Em 09 de agosto de 2024 a Marinha do Brasil lança ao mar um dos mais modernos navios de guerra brasileiros. Mão de obra local e transferência de tecnologia entre construtores que entendem muito da área.  Uma parceria para desenvolvimento e construção entre outras empresas, da empresa Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS) e a Embraer Defesa & Segurança – já uma das mais respeitadas empresas brasileiras no mundo com projetos como o avião Super Tucano e o novíssimo KC-130. Para mostrar a importância disso, o caça leve Super Tucano é reconhecido como excelência pela OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e utilizado por 15 forças aéreas no mundo todo. O KC-130 já é considerado um dos mais modernos aviões de combate e também podendo ser adaptado para missões humanitárias, transporte de tropas, equipamentos e veículos bélicos. Robusto, moderno e com possibilidade de pouso e decolagem em terrenos onde muitos aviões não conseguem enfrentar os desníveis do terreno.

Quatro navios de combate

Na sexta-feira, dia 9 desse ano, a Marinha do Brasil iniciou a construção da quarta embarcação Tamandaré com o corte da primeira chapa de aço que vai compor a Fragata Mariz e Barros (F-203).  Serão ao total quatro navios.

Nesse sentido, com a construção das quatro fragatas, o Brasil entra em um seleto número de países de construção de navios de combate e passa a fortalecer a base industrial de defesa e também o seu ecossistema, promovendo transferência de tecnologia e know-how.

Tradição no batismo de navios

Um navio pronto, seja de guerra ou fins comerciais, tem uma tradição interessante no seu batismo. É algo feito no mundo inteiro. A fim de atrair boa sorte e proteção para a embarcação e tripulantes em alto mar, se quebra uma garrafa de espumante no casco no navio, lançando a garrafa contra a embarcação. Esse batismo remonta um ritual milenar que remete às tradições de vikings, romanos, gregos e babilônios, considerados os grandes, respeitados e experientes navegadores da História.

1897 – O Cruzador “Almirante Tamandaré” era armado com dez canhões Armstrong de tiro rápido; dois canhões de 120 mm; dez canhões menores; oito metralhadoras; e oito tubos lança-torpedos. Um ousado e inovador projeto de engenharia naval brasileira, o navio refletia o desejo do Brasil de fortalecer a sua capacidade de construir embarcações e reduzir a dependência de meios estrangeiros. Chamou a atenção da indústria mundial naval na época. Imagem Marinha do Brasil

Fragata Tamandaré (F-200)

O primeiro navio de combate de alta tecnologia. O nome homenageia um dos mais importantes marinheiros brasileiros, o Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré. É reconhecido como o Patrono da Marinha do Brasil e defendeu nosso país em diferentes e importantes conflitos navais como a Guerra da Cisplatina e a Guerra da Tríplice Aliança.

Fragata Jerônimo de Albuquerque (F-201)

F201 deve ser lançado ao mar até julho deste ano para testes complementares. Chamados pela Marinha de “testes de aceitação no mar”. Imagem: Lindomar Adriano/ CiaDrone

Leva o nome do primeiro brasileiro nato a comandar uma força naval com o objetivo de defender o Brasil. Foi considerado um dos heróis da conquista do Maranhão.

Fragata Cunha Moreira (F-202)

Homenageia o Almirante Luís da Cunha Moreira, conhecido como Visconde de Cabo Frio. Foi o primeiro brasileiro nato a exercer o cargo de Ministro da Marinha do Brasil. O militar combateu nas guerras napoleônicas e esteve presente nas batalhas da conquista da Guiana Francesa. Foi um dos responsáveis pela formação da primeira esquadra do Brasil (organização militar de navios de guerra) e foi um importante comandante na consolidação da independência política brasileira.

Fragata Mariz e Barros (F-203)

A Quarta Fragata. O corte da primeira chapa de aço representa o início da construção de um navio de combate. O primeiro passo.Imagem: Terceiro-Sargento (ES) Lucas Rocha Dantas

A Fragata Mariz e Barros é uma homenagem ao Primeiro-Tenente Antônio Carlos de Mariz e Barros, herói na Guerra da Tríplice Aliança. Mariz e Barros comandou o Encouraçado Tamandaré, um dos primeiros navios de combate construídos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. O militar morreu a bordo do encouraçado quando o navio foi atingido pelos paraguaios durante o bombardeio ao Forte de Itapiru, em 1866. O ataque atingiu 34 militares do navio, entre eles Mariz, que acabou/ falecendo no dia seguinte em decorrência da gravidade de seus ferimentos.

Rogério Lisbôa é jornalista/ Portal Repórter Brasília