
Depois de mais de duas décadas de negociações intermitentes, avanços técnicos e impasses políticos, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia chega a um de seus momentos mais simbólicos. O tratado, considerado estratégico para a inserção internacional dos países sul-americanos e para a diversificação comercial europeia, entra agora na fase decisiva, cercado de expectativas econômicas e fortes resistências políticas.
Assinatura confirmada
A assinatura do acordo está marcada para sábado (17), em Assunção, durante reunião oficial do bloco sul-americano. O ato formaliza o entendimento político entre as partes e encerra a etapa de negociações.
Etapa formal do processo
A assinatura não significa entrada imediata em vigor. Trata-se da conclusão diplomática do texto, que abre caminho para os procedimentos de ratificação nos parlamentos nacionais dos países envolvidos.
Representação brasileira
O Brasil será representado pelo chanceler Mauro Vieira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará da cerimônia, mantendo o caráter técnico da agenda.
Presença europeia
A União Europeia contará com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçando o respaldo institucional ao acordo, mesmo diante de divisões internas no bloco.
O que o acordo prevê
O tratado estabelece uma ampla área de livre comércio, com eliminação gradual de tarifas sobre produtos industriais e agrícolas, além de regras para serviços, compras públicas, propriedade intelectual e compromissos ambientais.
Resistências na Europa
Setores agrícolas de países como França e Irlanda seguem mobilizados contra o acordo, alegando riscos à competitividade e exigindo salvaguardas adicionais, o que pode atrasar o processo de ratificação.
Próximo passo no Brasil
Após a assinatura, o texto será encaminhado ao Congresso Nacional, onde dependerá de aprovação da Câmara e do Senado. O governo avalia uma janela política até o meio do ano para avançar na tramitação.
Situação atual resumida
O acordo será formalmente assinado, mas a implementação ainda depende de decisões legislativas. A etapa política interna, sobretudo na Europa, será determinante para definir o ritmo e o alcance do tratado.
Abertura com responsabilidade e defesa do Rio Grande do Sul

O debate sobre o acordo do Mercosul exige equilíbrio, responsabilidade e compromisso com quem produz. Para o deputado Luiz Carlos Busato (União Brasil/RS), o Rio Grande do Sul precisa ampliar mercados e criar novas oportunidades, mas sem aceitar uma abertura comercial que coloque em risco o produtor rural e a indústria nacional.
Competir sem desvantagens
Busato defende que o Estado quer competir, mas em igualdade de condições. Segundo ele, cláusulas ambientais ou comerciais não podem ser usadas como protecionismo disfarçado, penalizando o Brasil enquanto países desenvolvidos mantêm subsídios robustos aos seus próprios setores produtivos. “O RS quer competir, mas em igualdade de condições”, resume o parlamentar.
Reciprocidade e salvaguardas
Na avaliação do deputado, qualquer acordo internacional precisa garantir reciprocidade real, com salvaguardas claras para setores sensíveis da economia. A abertura deve ser acompanhada de mecanismos que protejam cadeias estratégicas, evitando prejuízos irreversíveis à produção local e ao emprego.
Soberania em primeiro lugar
Busato também ressalta que a defesa do comércio exterior não pode significar renúncia à soberania brasileira. O país deve negociar com firmeza, preservando seus interesses e respeitando suas especificidades econômicas e sociais.
Fortalecer o desenvolvimento
“Abertura com responsabilidade, sim. Submissão, não”, afirma o deputado. Para ele, o acordo do Mercosul só será positivo se fortalecer o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e do Brasil, garantindo crescimento, justiça competitiva e respeito à soberania nacional.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa