Flávio Bolsonaro com apoio do “dono da franquia” (Crédito: Carlos Moura, Agência Senado)
A pesquisa Genial/Quaest divulgada na última terça-feira oferece o primeiro retrato do cenário eleitoral de 2026 após o lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, com apoio explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente Lula lidera todos os cenários de primeiro turno testados, com percentuais entre 34% e 41%, enquanto Flávio aparece em segundo lugar nas seis simulações. Os números ainda estão longe de definir a disputa, mas sinalizam que o jogo começou e começou cedo.
O “ano do teste da verdade”
Sem comentar diretamente a pesquisa, Lula definiu 2026 como “o ano do teste da verdade”. A fala antecipa o tom que o Planalto pretende adotar: politizar o debate, cobrar responsabilidades e confrontar narrativas dos últimos anos. O presidente aposta na memória do eleitor e na comparação entre projetos, buscando enquadrar a eleição como um julgamento de escolhas passadas e futuras.
Flávio entra no jogo
Em entrevista concedida antes da divulgação da pesquisa, Flávio Bolsonaro foi taxativo ao afirmar que sua pré-candidatura é “definitiva” e “irreversível”. O objetivo é claro: encerrar especulações sobre recuos, balões de ensaio ou candidaturas provisórias. O bolsonarismo escolheu um nome e escolheu agora.
Conflito como plataforma
Flávio rejeita a tese de que sua candidatura exista para livrar o pai da prisão, mas constrói seu discurso a partir de um enfrentamento direto ao Judiciário. Ao falar em “redemocratização” e “tutela de um poder sobre o outro”, transforma o conflito institucional em eixo eleitoral. A judicialização da política deixa de ser apenas contexto e passa a ser bandeira.
Dosimetria e pragmatismo
Ao comentar o projeto da dosimetria das penas, o senador expõe uma contradição emblemática. Classifica o texto como “horroroso”, critica sua origem e a falta de debate legislativo, mas admite que votaria a favor por orientação de Jair Bolsonaro. O episódio revela o dilema central do bolsonarismo no Congresso.
Além dos sobrenomes
Flávio afirma que 2026 não será uma eleição entre Lula e Bolsonaro, mas entre caminhos para o país. A tentativa de deslocar o debate do personalismo para projetos é evidente. Ainda assim, o próprio senador reconhece que sua candidatura nasce da decisão do “dono da franquia”, reforçando que o sobrenome Bolsonaro segue sendo o principal eixo organizador da direita.
O papel de Tarcísio
Ao tratar de Tarcísio de Freitas, Flávio evita qualquer sinal de rivalidade. Define o governador de São Paulo como pilar fundamental do projeto nacional. Na prática, se coloca como cabeça de chapa natural do bolsonarismo, enquanto Tarcísio permanece como ativo estratégico, forte em São Paulo, decisivo para alianças e estabilidade.
Um projeto em marcha
A entrevista revela um projeto em construção acelerada: candidatura afirmada, discurso institucionalizado, moderação calculada para o mercado e conflito aberto com o Judiciário. Flávio Bolsonaro garante que não entrou na disputa para marcar posição.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa