Eduardo Bolsonaro (Crédito: Lula Marques, Agência Brasil)
A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados deve julgar, na próxima semana, a representação contra Eduardo Bolsonaro (PL/SP) por quebra de decoro parlamentar. O caso, que ganhou força após o STF transformá-lo em réu por coação, tornou-se um dos temas mais sensíveis do cenário político às vésperas das definições eleitorais de 2026. Mais do que uma apuração disciplinar, o julgamento simboliza o embate direto entre o bolsonarismo e as instituições da República, agora em plena arena legislativa.
Faltas “sufientes”para cassação

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), afirmou que o deputado Eduardo Bolsonaro já atingiu o número “suficiente” de faltas para ter o mandato parlamentar cassado.
Mandato à distância
Eduardo Bolsonaro passou grande parte de 2025 nos Estados Unidos, inicialmente sob licença parlamentar e, depois, atuando de forma remota. A ausência física prolongada, somada a tentativas de participação irregular em votações, como o voto anulado em sessão conjunta do Congresso, alimentou a percepção de abandono do mandato. A Mesa, pressionada por diferentes partidos, passou a ser cobrada por uma resposta institucional ao comportamento do deputado, que permanece nos EUA mesmo diante do agravamento da crise política e jurídica.
O ponto de ruptura com o STF
A situação se tornou explosiva em novembro de 2025, quando o Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República e tornou Eduardo réu. A acusação aponta que ele teria buscado influenciar decisões judiciais brasileiras por meio de articulações no exterior, incluindo pressões políticas e tentativas de sanções internacionais contra autoridades do país. Para o STF, esse conjunto de ações configura coação, atingindo diretamente a independência dos Poderes.
Movimento de blindagem
A decisão provocou forte reação no PL, que iniciou um movimento de “blindagem” para evitar riscos de inelegibilidade. Em paralelo, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão de pagamentos de emendas vinculadas ao deputado, reforçando o cerco judicial.
Cenário na Câmara
Com base na condição de réu, e na conduta parlamentar nos últimos meses, a Corregedoria da Câmara concluiu relatório indicando indícios de quebra de decoro. O documento foi encaminhado à Mesa, que decidiu pautar o julgamento antes da abertura do ano legislativo decisivo para as eleições de 2026.
Transborda a esfera política
Nos bastidores, líderes partidários reconhecem que o caso de Eduardo Bolsonaro “transbordou a esfera política” e se transformou em crise institucional. Para aliados, qualquer punição poderá ser interpretada como perseguição; para adversários, a ausência prolongada e a conduta investigada configuram desrespeito ao Parlamento.
Um julgamento maior que o próprio caso
Se a Mesa optar por sanções leves, Eduardo manterá o mandato, mas seguirá fragilizado. Caso decida encaminhar o processo ao Conselho de Ética, abre-se um caminho real para cassação, o que impactaria diretamente a estratégia da direita para 2026.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa