Alceu Moreira (Crédito: Renato Araújo/Câmara dos Deputados)
O deputado Alceu Moreira (MDB/RS) rebateu duramente as propostas de revisão da reforma trabalhista, e criticou o que chama de “discurso ideológico às vésperas da eleição”. Para ele, “a oposição à reforma tenta desmontar todo o marco aprovado em 2017. Eles estão querendo acabar com toda a reforma trabalhista, mas nós queremos é o inverso. Já aniquilaram com grande parte dela”, diz.
Pagamento por hora trabalhada
Moreira defende que a legislação evolua para permitir a remuneração por hora trabalhada, ampliando a liberdade de escolha do empregado. “Agora nós queremos a legislação, inclusive, colocando na próxima legislação a possibilidade de as pessoas ganharem por hora trabalhada”.
Escala 6×1
Na opinião do parlamentar, “essa alternativa também responde ao debate sobre a escala 6×1. Querem reduzir a escala de 6×1. Nós não temos problema nenhum, só vamos pagar por hora trabalhada; quem quiser trabalhar só 12 não tem problema, mas não recebe também”.
Eleição e “discurso ideológico”
Ao projetar o final do ano, e 2026, Alceu Moreira argumenta que a discussão sobre jornada e folgas tem forte componente eleitoral. “O que está acontecendo? Tem um discurso ideológico às vésperas da eleição, para tirar a escala de 6×1 porque tem que ter mais folga. Todo mundo tem direito a optar por isso ou não”.
Desarranja o mercado
Para Alceu Moreira, uma mudança legal obrigatória desorganizaria o ambiente econômico. “Se nós fizermos isso no Brasil hoje, desarranja o mercado para grande parte das instituições empresariais que estão trabalhando. Não conseguem cumprir essa questão, e vão ter que, certamente, colocar a alteração desse custo no preço dos produtos”.
Modelo inspirado nos EUA
Moreira reforça que sua defesa é de uma legislação que garanta direitos, mas permita flexibilidade. “O que nós queremos propor é que tenha uma forma de fazer uma legislação para remunerar por hora trabalhada, com todos os direitos que o trabalhador tem”. Ele cita o modelo americano como exemplo. “Nos Estados Unidos se remunera a hora trabalhada, e não tem nenhum americano querendo vir pra cá por causa de todos os direitos trabalhistas”.
Oportunismo eleitoral
O deputado encerra afirmando que “impor novas regras obrigatórias agora seria prejudicial e movido por oportunismo”.
Prioridade no Senado
O PT definiu que ampliar a bancada no Senado será “prioridade absoluta” em 2026, destacando ser “imprescindível disputar com força todas as vagas”. O partido também reforça que o programa eleitoral deve dialogar diretamente com renda, tarifa zero e novas relações de trabalho, numa mea-culpa sobre a necessidade de atualizar sua atuação diante das mudanças no mercado.
Redes, segurança e adversários
A sigla alerta para riscos de “manipulação em larga escala” nas redes, e cobra presença digital forte. Reafirma que segurança pública será tema estratégico e identifica Tarcísio de Freitas como principal adversário, mesmo com Flávio Bolsonaro na disputa, enfatizando que só vencerá se estiver “enraizado nos territórios e conectado às demandas do povo”.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa