Luiz Recena Grassi (1952 – 14 de outubro de 2025)

Um adeus a um querido amigo e um grande profissional

Luiz Recena Grassi

É com imensa saudade que o jornalismo brasileiro se despede de Luiz Recena Grassi, jornalista referência e amigo cativante, que se foi na madrugada desta terça-feira (14), em Brasília, aos 73 anos.

O corpo de Recena foi velado na Capela 7 do Cemitério Campo da Esperança, Asa Sul. A família optou por não realizar um sepultamento. A cremação será realizada na manhã da quarta-feira. Recena dedicou mais de quatro décadas ao jornalismo, deixando marcas em veículos nacionais e internacionais.

Natural de Santa Maria, “da Boca o Monte”, no Rio Grande do Sul, formou-se na primeira turma de Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1975. Como estudante, trabalhou no jornal A Razão de Santa Maria, dando início um carreia de sucesso.

Na grande mídia
Entre 1982 e 1985, integrou a Rede Globo, atuando como chefe de reportagem e editor do Jornal Nacional e do Jornal da Globo.  De 1986 a 1997, foi repórter especial no Correio Braziliense, período em que também atuou como correspondente em Moscou e Paris.

Experiência internacional:
Entre 1988 e 1992, colaborou com a agência russa Tass, no serviço de notícias em português. Paralelamente, atuou como correspondente para veículos como Jornal do Brasil, Agência Estado, Rádio Eldorado, Diário de Notícias (Lisboa) e Deutsche Welle.
Em Moscou, cobriu momentos históricos da Perestroika, a queda do regime soviético e seus desdobramentos, produzindo matérias para veículos brasileiros e portugueses.

No comando editorial:
De 1998 a 2004, foi diretor de redação da Gazeta Mercantil, também tocando as operações regionais de Brasília, Recife e Rio de Janeiro.
Em 2005, liderou a reformulação editorial da Tribuna do Brasil, atuando como editor-chefe.

Além de jornalista, Recena teve atuação como docente internacional de redação, inclusive no México.

Escritor e cronista

Recena também deixou sua marca como autor e organizador literário:

Baco — Em busca da pizza perfeita (Editora Senac-DF, 2009): narra os dez anos de vida de uma tradicional pizzaria de Brasília, revelando sua paixão pela gastronomia local.

Rússia Condenada — A Primeira Guerra Mundial com alta tecnologia: obra inspirada por sua vivência no exterior, com enfoque em conflitos, tecnologia e temas geopolíticos.

Editor responsável da coletânea Constituição & Democracia, reunindo reflexões sobre sociedade civil, imprensa e Estado.

Memórias e elogios

Amigos, colegas e familiares recordaram Recena como um homem de caráter íntegro, dono de humor afiado, coração generoso um amigo que “olhou para a gente” nos momentos de inquietação e sempre pronto a ajudar.

O chef Gil Guimarães, da Pizzaria Baco, relembrou o apoio que Recena deu no início do empreendimento: “foi o primeiro jornalista que olhou pra gente, nos apoiou… e, daí, ficamos grandes amigos”.

O filho Diego Recena também falou sobre sua versatilidade como correspondente: “Passou oito anos na extinta União Soviética, em Moscou, na época da Perestroika, e depois mais tempo em Paris. Foi o primeiro jornalista brasileiro a entrar na usina de Chernobyl após o acidente nuclear, entrevistou muitas lideranças internacionais como Mikhail Gorbachev e Fernando Henrique Cardoso, cobriu atentados a bomba, esteve na Faixa de Gaza, falou com Fidel Castro, fez uma reportagem com Gabriel García Márquez…”

Vida pessoal

Luiz era casado com a também jornalista Rozane Oliveira. Deixa dois filhos:

Jaime Recena, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (ABICAB)

Diego Recena, jornalista e atuante na comunicação institucional em Brasília.

Também era apaixonado por futebol, especialmente torcedor do Botafogo e pela vida social da capital, afirmou Fernando Vasconcelos.

Uma amizade que resiste

Para mim, Luiz Recena foi mais que um colega foi um parceiro de jornadas, de risadas, de longas conversas. Sua partida deixa um vazio profundo, mas também a certeza de que o bem que semeou, a esperança que inspirou e a elegância com que viveu permanecerão nas memórias daqueles que tiveram a sorte de conviver com ele.

Que ele descanse com a serenidade que cultivou nas últimas horas, rodeado por quem amava. E que permaneça vivo nas palavras que escreveu e nas muitas histórias que ainda vamos contar em sua homenagem.

A propósito, me lembro de um episódio. Eu morava no Lago Sul, na QI 13, saímos para jantar, muito tarde, após o trabalho, uma dificuldade para encontrar um restaurante para jantar, as duas da manhã. Vamos aonde? Fomos para minha casa, e fizemos um churrasco enquanto discutíamos jornalismo. Bons tempos bem diferente de hoje, com boa informação e sem fake news.

Edgar Lisboa com Correio Braziliense e Agências