Semana de incertezas e tensão

Geraldo Alckimin Alckmin vem conduzindo as negociações com sobriedade (Crédito: Valter Campanato, Agência Brasil)

 A semana começa carregada de incertezas e tensão política e econômica. O prazo dado por Donald Trump para o início do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros expira na sexta-feira, provocando apreensão no setor produtivo e já ofuscando os resultados do segundo trimestre.

Prejuízos bilionários

Bohn Gass

O deputado Bohn Gass (PT/RS) volta a criticar a imposição de tarifas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros que compromete setores estratégicos da economia. Ele alerta que a medida afeta principalmente exportadores e o agronegócio, com prejuízos bilionários. Bohn Gass publicou em suas redes sociais a manifestação ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugmann sobre a decisão de Donal Trump: “A taxa é maligna e megalomaniaca. O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes. As exportações para os EUA representam menos de 2% do PIB brasileiro. Trump realmente imagina que pode usar tarifas para intimidar uma nação enorme, que nem sequer depende muito do mercado americano, a abandonar a democracia?”

Peso da insegurança

Empresas exportadoras, especialmente as de bens de capital, sentem o peso da insegurança. O governo brasileiro tenta conter os danos: o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, lidera negociações com empresários dos dois países e com o secretário de comércio americano, Gabriel Escobar, defendendo mais comércio e investimentos como alternativa à taxação.

 Minerais estratégicos

Em paralelo, cresce a pressão geopolítica. Os EUA manifestaram interesse em explorar minerais estratégicos no Brasil, como lítio e nióbio. Lula respondeu com firmeza: “aqui ninguém põe a mão”, deixando claro que o país não abrirá mão de sua soberania sobre recursos cruciais para o futuro tecnológico. A postura é correta, mas é preciso transformar a retórica em política industrial consistente, para não perder oportunidades de agregar valor internamente.

Na política especulações

Jair Bolsonaro com Eduardo

No campo político, o futuro de Jair Bolsonaro e de seu filho Eduardo, que permanece nos EUA, continua indefinido, alimentando especulações. No Congresso, mesmo com recesso, o tema das emendas parlamentares segue provocando embates entre Executivo e Legislativo, em um cenário que exige equilíbrio, já que o instrumento é essencial ao orçamento, mas não pode se transformar em moeda de troca descontrolada.

Desafios estratégicos
O Brasil está diante de desafios estratégicos. O tarifaço de Trump pode gerar perdas bilionárias e exige firmeza e habilidade política. Geraldo Alckmin tem conduzido as negociações com sobriedade, mas é evidente que o Brasil precisa diversificar mercados e fortalecer cadeias produtivas internas para não ser refém de crises externas.

Planejamento e diálogo

A disputa por minerais críticos mostra o apetite global por recursos brasileiros. É hora de o governo definir uma agenda que combine soberania, investimento em tecnologia e geração de empregos qualificados. Se a agenda econômica não avançar com planejamento e diálogo, o país continuará oscilando ao sabor de pressões externas e disputas políticas internas.

Programas de saúde mental

Osmar Terra

Tramita na Câmara uma proposta que assegura à crianças e adolescentes, o acesso a programas de saúde mental do SUS. A Comissão de Saúde aprovou o projeto de lei do Senado (PL 4928/2023), que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente. O relator do projeto, deputado Osmar Terra (MDB/RS) afirmou que a medida já deveria ter sido posta em prática há mais tempo.

Direito à saúde

Para Osmar Terra “é uma coisa que já devia estar sendo garantida pelo Ministério da Saúde. Essa integração, o atendimento à criança na área de saúde mental está dentro do direito à saúde a todos os cidadãos, tenham a idade que tiverem. Mas como é uma coisa que não está acontecendo, que não está funcionando do jeito que nós gostaríamos, ou que pelo menos tivesse impacto, nós vamos encaminhar esse voto favorável.”

Rede de Atenção

Ao detalhar os níveis de atendimento, da atenção básica à hospitalar, a proposta reforça a estrutura da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), dando mais estabilidade e continuidade a ela. Também garante a formação contínua e específica dos profissionais da rede, considerada essencial para melhorar a qualidade e ampliar a capacidade de atendimento.

Combate à corrupção

Bia Kicis

A deputada do PL, do DF, Bia Kicis, considera a anulação de condenações da Lava Jato um golpe contra o combate à corrupção no Brasil. A deputada entende que decisões judiciais recentes desmontam um processo que havia trazido esperança de justiça à população.

Fragilidade institucional

Para Bia Kicis, essa fragilidade institucional pode gerar consequências negativas no cenário internacional. Ela acredita que o País corre o risco de ser investigado por omissão, afetando contratos e colocando em xeque sua credibilidade diante do mundo.

Corrupção e tirania

Para o deputado mineiro, Dr. Frederico (PRD/MG) “o momento é de coragem para enfrentar a corrupção e a tirania. O parlamentar ressalta a importância de superar a censura digital e as pressões externas que ameaçam a soberania nacional”.

Anistia ampla

O deputado Dr. Frederico também defende “uma anistia ampla e irrestrita como forma de reconstruir o País”. Ele observa que apenas a aprovação de uma nova legislação pode “garantir eleições limpas, auditáveis e proteger as redes sociais contra a censura e controle ideológico”.

Segurança pública

Ricardo Ayres

Foi aprovado pela Câmara dos Deputados projeto que prevê a criação de serviço público para identificação e localização de pessoas idosas desaparecidas. Ele deve ser integrado ao Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, que centraliza as informações na esfera federal, e é alimentado pelas polícias e Ministério Público dos estados. A proposta exige que a autoridade policial notificada do desaparecimento também informe hospitais, entidades de assistência social e de atendimento a pessoas idosas. O texto altera o Estatuto da Pessoa Idosa.

O relator do projeto, deputado Ricardo Ayres  (Republicanos/TO)  demonstra preocupação com a falta de dados disponibilizados sobre o índice de desaparecimento entre os idosos.

A proposta que visa criar serviço público para localizar e identificar pessoas idosas desaparecidas já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, e já pode seguir para o Senado

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa