Tarifaço de Trump ameaça exportações brasileiras e preocupa pequenas empresas

O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pretende aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, acendeu o alerta no setor empresarial brasileiro. O presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, avalia que a medida pode ser devastadora para pequenas empresas, responsáveis por mais de 65% dos empregos formais no país.

“Estamos muito apreensivos. Essa tarifa, se confirmada, vai atingir especialmente os pequenos negócios que não têm fôlego para encontrar novos mercados da noite para o dia”, disse Cotait.

Negociações diplomáticas em andamento

Alfredo Cotait Neto

Alfredo Cotait Neto elogiou os esforços do governo brasileiro em tentar evitar o tarifaço por meio de negociações diplomáticas. O vice-presidente Geraldo Alckmin relatou uma conversa com o secretário de Comércio dos EUA, que, segundo Cotait, abre “uma nova perspectiva de diálogo”.

“Os Estados Unidos são um parceiro histórico e o Brasil está na área de influência americana nas Américas. É preciso buscar uma solução negociada. Não podemos permitir que essa medida seja permanente”, destacou.

Grandes setores x pequenas empresas

Segundo dados da CACB, as exportações brasileiras para os EUA movimentaram US$ 40 bilhões em 2024, concentradas principalmente em grandes setores como carne bovina, frango, café, suco de laranja e produtos industriais.

Contudo, Cotait alerta para o impacto sobre as 4,5 mil pequenas e microempresas que exportam diretamente para os EUA ou participam de cadeias produtivas ligadas ao mercado norte-americano.

“Embora representem apenas 1,2% a 1,3% do volume exportado, essas pequenas empresas são fundamentais para a economia local. Se a tarifa entrar em vigor, muitas terão que paralisar atividades e empregos serão perdidos”, afirmou.

Ele citou exemplos de segmentos vulneráveis, como cafés especiais produzidos em Franca (SP) e no Sul de Minas, que dependem quase exclusivamente do mercado americano.

Incerteza com embarques e contratos

A CACB informa que diversas empresas estão antecipando embarques para tentar fugir da tarifa. Produtos já prontos para envio ou em produção estão no centro da apreensão.

“Muitos contratos já têm preços fixados. Se a tarifa entrar em vigor, será inviável cumprir esses compromissos. É urgente que o prazo seja postergado para permitir que as empresas se reorganizem”, disse Cotait.

Empregos sob risco

As pequenas empresas são responsáveis por mais de 65% dos empregos formais no Brasil. Embora o universo impactado represente apenas uma fração das cerca de 20 milhões de empresas desse porte, o presidente da CACB alerta para as consequências.

“Se o tarifaço for mantido, muitas empresas não vão subsistir, e os empregos vão desaparecer. Acredito que será temporário, porque esse patamar é insustentável”, concluiu Cotait.

A CACB, que congrega associações comerciais em todo o Brasil, segue acompanhando o caso e tenta articular soluções para apoiar as empresas afetadas.

Setores mais afetados

  • Carne bovina
  • Carne de frango
  • Suco de laranja
  • Café (inclusive cafés especiais)
  • Produtos industriais de pequeno porte (artesanato, manufaturados especiais)

Números-chave

  • 4,5 mil pequenas empresas exportam diretamente para os EUA
  • Exportações totais para os EUA: US$ 40 bilhões
  • Pequenas empresas respondem por 65% dos empregos no Brasil
  • Tarifa proposta: 50% a partir de 1º de agosto

Contexto político-econômico

O tarifaço é visto por analistas como parte de uma estratégia mais ampla de Donald Trump para pressionar o Brasil em negociações comerciais e políticas. Nos últimos meses, o governo norte-americano criticou a política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobretudo a aproximação com países como China e Rússia.

Além disso, líderes do Congresso americano têm pressionado por mais barreiras a produtos importados como forma de proteger a indústria local, o que fortaleceu o discurso protecionista da Casa Branca.

No Brasil, parlamentares da base do governo e da oposição divergem sobre a resposta ao tarifaço. Enquanto setores ligados ao agronegócio pedem retaliações comerciais imediatas, outras lideranças defendem manter o diálogo aberto com Washington para evitar um escalonamento da crise.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa