Menos produtos a cada ida ao super

Fernanda Melchionna (Crédito:Site da deputada)

O professor André Braz, economista, coordenador dos índices de preços da FGV, fez uma avaliação do impacto dos preços da alimentação no bolso da família brasileira; uma realidade que chama atenção e preocupa a todos. As famílias percebem o desconforto, e a cada visita ao supermercado elas levam menos produtos para casa.

Estabilização dos preços

Buscando a estabilização dos preços, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL/RS), apresentou na segunda-feira (24), um Projeto de Lei  Complementar que institui um pacote de medidas “com o objetivo de reduzir e estabilizar preços de alimentos, combater a fome e fortalecer a agricultura familiar”.

Vilões da inflação

Para o economista André Braz, “a subsistência básica, como os alimentos foram os grandes vilões da inflação nos últimos cinco anos, isso acaba aumentando essa sensação de que tá cada vez mais difícil fazer as compras de supermercado, e é verdade, não é só uma sensação”.

Desconforto que vem há tempos

“Mas esse é um desconforto que não nasceu em 2024”, afirmou André Braz, acrescentando: “se a gente pega um período mais curto de tempo, da pandemia para cá, de 2020 a 2024, a gente vê que segundo o IPCA do IBGE, a alimentação nos domicílios subiu 55%, enquanto o IPCA avançou 33%.”

Desafio dos alimentos

O economista explica que, “se o IPCA indexa os salários, se os salários são corrigidos pela inflação passada, os salários foram corrigidos em torno de 33%, mas os alimentos subiram 55%, daí o desafio”.

Principais propostas

As principais propostas do projeto da deputada Fernanda Melchionna são: Imposto de Exportação (IE) como regulador de preços; Criação de um mecanismo dinâmico de ajuste das alíquotas, garantindo que os preços internos dos alimentos acompanhem a inflação geral (IPCA), com um piso mínimo de 5% para produtos primários e semielaborados. O IE arrecadaria no formato proposto, R$ 59 bilhões, o suficiente para todas as medidas.

Baixa renda

Esse desafio, atesta André Braz, “é maior para a família de baixa renda, porque quanto menos a família ganha, mais ela concentra a sua despesa na compra de alimentos”.

Tempestade perfeita

André Braz avaliou que, “no ano passado foi uma tempestade perfeita, nós tivemos desvalorização cambial, e a nossa moeda quando desvaloriza ela encarece o que a gente importa”.

Bolsa Família

Fernanda Melchionna defende o reajuste e valorização permanente do Bolsa Família. A parlamentar quer o aumento imediato para R$ 800, e correção anual pelo INPC mais crescimento real do PIB. Pede também a  exclusão do programa do teto de gastos.

Aquisição de Alimentos

Na visão de Fernanda Melchionna, “há necessidade do Fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA): Preços mínimos para a agricultura familiar, prioridade para abastecimento de cozinhas solidárias e restaurantes populares, além de subsídios para logística e escoamento da produção. Exclusão desses gastos do teto de gastos. Possibilidade de destinação da arrecadação do IE.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa