Troca de comando no Ministério de Minas e Energia | https://reporterbrasilia.com.br/
Inicial / Repórter Brasília / Troca de comando no Ministério de Minas e Energia
Jair Bolsona na guerra pelos preços dos combustíveis

Troca de comando no Ministério de Minas e Energia

Print Friendly, PDF & Email
Jair Bolsona na guerra pelos preços dos combustíveis

Em meio às fortes críticas que vem fazendo aos reajustes dos preços dos combustíveis pela Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro trocou o comando do Ministério de Minas e Energia. Exonerou Bento Albuquerque e colocou, em seu lugar, Adolfo Sachsida, que era o chefe da Assessoria Especial de Estudos Econômicos do Ministério da Economia.

Ainda por causa dos combustíveis

A mudança acontece poucos dias após a divulgação de um lucro bilionário da Petrobras, que Bolsonaro definiu como ‘estupro’ durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais na última quinta-feira (5). Aos gritos, o presidente fez apelos, para que a empresa não volte a aumentar o preço dos combustíveis no Brasil. Depois disso, na segunda-feira, a Petrobrás deu uma resposta. Anunciou uma alta de 8,87% no preço de venda do óleo diesel nas refinarias.

Petrobrás tem “gula enorme”

Como se fosse alguém da oposição, se manifestando para os correligionários, Bolsonaro tem usado todos os meios para pressionas o comando da petroleira não aumentar os preços. Ele disse que a Petrobras “tem gula enorme” e “tem gordura” para “adotar responsabilidade” e não subir o preço dos combustíveis no País. “Vocês têm lucro de 30%. Dá para resolver isso aí”, cobrou na ocasião.

Jogando para torcida

Após sequências de críticas, o presidente da República, pré-candidato à reeleição, afirmou que não iria interferir na companhia. “Eu não mando na Petrobrás”, mas, sem dúvida, ele joga muito bem para a torcida, nesse jogo do faz de conta.

Os gritos contra o lucro

Enquanto Bolsonaro vai fazendo novos ataques, a Petrobras divulga o resultado do primeiro trimestre deste ano, quando a empresa teve lucro de R$ 44,561 bilhões, valor 3.718% maior que o registrado no mesmo período do ano passado.

Decisão de natureza política

Alceu Moreira

Na opinião do deputado Alceu Moreira (MDB/RS), o que está acontecendo, agora, é que ”nós temos uma decisão de natureza política a ser tomada pelo governo Bolsonaro porque o diesel é, certamente, um dos fatores incidentes em todo o processo de produção e consumo do Brasil”.

Tem que buscar uma saída

No entendimento do parlamentar, essas decisões tem que acontecer. “O que eu imagino, é que o presidente Bolsonaro tenha uma equipe que seja capaz de dizer para ele qual a saída, por mais drástica que possa ser. Eu não imagino que o ministro Bento Albuquerque tenha dado para ele essa alternativa.”

Tomada de posição de governo

O congressista acentua que essa é uma tomada de posição de governo. Lembra que quando a Petrobrás teve o grande rombo, causado pela administração petista, de 126 bilhões, para ela se transformar num ativo considerável e com apetite de mercado ela teve esse contrato de gestão  em que os investidores minoritários teriam voz ativa no processo.  “ Era a única forma de fazer o investidor externo comprar  os papéis da Petrobrás e revitalizar a companhia. Hoje eles tem toda a razão necessária para fazer com que os papéis  se  valorizem a compor os preços internacionais  independente do que aconteça, no Brasil.

Correr risco

“Se quiser modificar isso”, frisa Alceu Moreira, certamente, tem que correr o risco de ver despencar o preço desses papéis no mercado internacional,  suportar a quebra de contrato e isso é ruim para o país. Teria que estar disposto a comprar os papeis a serem vendidos por preços menores no mercado, para não ter problemas na companhia.

Duas tabelas

A Petrobrás teria que ter duas tabelas, um preço praticado internacionalmente e outro preço praticado internamente no Brasil, afirma Moreira.” “Não sei se isso é possível, não tenho conhecimento profundo nessa área, mas o que eu sei é que a economia brasileira não suporta pagar o preço do óleo diesel que está pagando hoje”. E conclui: “isso vai desarranjar  todo o processo produtivo, transformar o Brasil menos competitivo”.

Preços dos combustíveis

Para haver mudança de preço, no consumidor, eu teria que ter uma forma de pacificar o preço interno. Como você monta a forma para ter o custo no Brasil. Voce tem um custo x para a extração e o refino, depois põe custos administrativos e a margem de lucro. Isso daria um preço muito menor do que nós temos hoje. Hoje trabalhamos com preços internacionais que poderiam continuar sendo praticados internacionalmente.

A coluna Repórter Brasília é publicada também no Jornal do Comércio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.