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Operação Xavante: indígenas atendidos por militares da saúde

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Primeira fase atende mais de 1.500 indígenas e distribui 11 mil medicamentos

Uma equipe de 24 profissionais de saúde das Forças Armadas atendeu indígenas da etnia xavante entre os dias 28 de julho e 10 de agosto. Médicos clínicos gerais, ginecologistas, obstetrtas, infectologistas, pediatras e ainda enfermeiros e técnicos de enfermagem proporcionaram atendimento médico especializado e reforçaram a atuação da saúde local realizada pelas Equipes Multidisciplinares da saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena – DSEI – Xavante.

Essa foi a primeira fase da Missão Xavante que chegou ao final neste domingo (02), uma ação interministerial dos Ministérios da Defesa, da Saúde e da Justiça, na região Centro-Oeste brasileira e levou atendimento médico e insumos para auxiliar a população indígena em seis aldeias dos Polos Campinápolis e São Marcos.

HM-4 Jaguar e Super Cougar: agilidade aérea

 Além da equipe de saúde, foi necessária intensa atuação da equipe de aviação militar para o sucesso da Operação Xavante nas aldeias mais distantes. Segundo o Ministério da Defesa, todas as manhãs dois helicópteros – um HM-4 Jaguar e um Super Cougar – decolavam da base de operação, em Aragarças (GO), do 58º Batalhão de Infantaria Motorizada. Dali, em rápido deslocamento aéreo, levando equipes, medicamentos e insumos, e se direcionavam para locais preestabelecidos pela coordenação da missão. As duas aeronaves, entre pousos e decolagens, voaram mais de 25 horas, percorrendo cerca de 4 mil quilômetros otimizando esse deslocamento entre base militar e aldeias indígenas.

Atendimentos realizados

Ao todo, as equipes fizeram 1.578 atendimentos aos indígenas da etnia Xavante com o apoio de equipes de saúde do DSEI Xavante e da Secretaria Municipal de Saúde do Estado do Mato Grosso. Foram distribuídos mais de 11 mil medicamentos, sendo a maioria direcionado à diabetes e hipertensão.

Durante a missão, também foram realizados exames de glicemia e verificação de sinais vitais, diagnósticos que contaram com ajuda de ultrassonografia portátil e testes de Covid-19.

Comunidade indígena: atendimento

O indígena Hander Tserema Tsieiwaaiodi, da aldeia Guadalupe, disse que pôde ouvir pela primeira vez os batimentos cardíacos do seu bebê. “O neném esta bem e em dois meses deve nascer meu primeiro filho. Ainda não conseguimos saber o sexo porque tinha um cordão na frente. Vamos tentar outra vez na cidade, quando formos comprar as roupinhas. É muito bom ter médicos aqui. Também fiz consulta e o teste de Covid ao lado da minha casa”, agradece aos militares.

O indígena Xavante, Jacinto Tsõrõ Rãwe, foi até o local do atendimento médico disponível na aldeia São Marcos, local em que realizou o teste do coronavírus. O resultado deu negativo. “Mesmo assim recebi as orientações das profissionais de saúde para continuar utilizando máscara e lavar bem as mãos. Também recebi álcool gel. A minha esposa faleceu com essa doença e precisamos nos cuidar. Quero agradecer o cuidado das Forças Armadas com a população Xavante”, lamentando a morte da companheira.

A médica da família da Força Aérea Brasileira (FAB), 1º Tenente Lione da Silva, afirma que o caso mais grave que foi atendido por ela, foi de um senhor de 88 anos que estava levemente sintomático, com tosse, mas devido à idade, o caso era preocupante. “Todos os integrantes da família eram assintomáticos, porém todos testaram positivo. Segundo a tradição Xavante, quem perde um ente querido deve raspar a cabeça e percebemos muitas pessoas com a cabeça raspada”, salienta a oficial.

Segundo o médico clínico geral do Hospital geral de Curitiba (HGeC), 1º Tenente Vitor Yuzo Kawase, o contato com a população Xavante foi extremamente gratificante. “Conseguimos ajudar essa população carente de atendimento especializado, atendemos casos interessantes e complexos e conhecemos um pouco da cultura local. Fizemos muitos atendimentos respiratórios, diagnosticamos número significativo de casos de coronavírus e orientamos os positivos à Covid-19 sobre a importância do isolamento social para o bem da aldeia”, registra.

Junto às comunidades assistidas, foi proporcionada a possibilidade de realização de testes de COVID-19, sendo que 149 Xavantes optaram pela realização do exame rápido, que é feito com coleta de sangue no dedo e demora alguns minutos para ficar pronto. Do montante, 94 dos resultados foram negativos, 29 deles estão positivos e 26 resultaram em IGM negativo e IGG positivo para o novo coronavírus, o que significa que a pessoa já esteve infectada com o vírus, mas já está curada.

Segurança e protocolo

Conforme o Ministério da Defesa, a segurança das populações indígenas é condicionante básica para a realização da missão. Assim, são adotados rígidos protocolos de saúde. Todos os integrantes da Operação Xavante deveriam apresentar o exame molecular de RT-PCR negativo (realizado para Covid-19), sendo que, a partir do momento da coleta, os profissionais passaram a ficar em quarentena. Antes do embarque para terras indígenas foram realizados testes rápidos imunológicos (IgM e IgG) e uma inspeção sanitária para comprovar a ausência de sinais e de sintomas que possam sugerir a Covid-19. Os profissionais, conforme a pasta, atenderam os indígenas com todos os equipamentos de proteção individual necessários.

Operação Xavante

Os militares que participaram da primeira fase da Operação Xavante partiram de Brasília na segunda-feira (27/07), acompanhados por profissionais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), subordinada ao Ministério da Saúde, e também da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), vinclulada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A Operação é dividida em três partes por causa da extensa área de abrangência populacional e territorial de apoio aos Xavantes. As próximas etapas estão previstas para ocorrerem de 3 a 9 de agosto, na Área do Polo Base Marãiwatséde, e dos dias 10 a 16 de agosto, no polo Base Sangradouro do DSEI Xavante, ambas no Mato Grosso. Dados obtidos com a Ascom, do Ministério da Defesa.

Blog Edgar Lisboa/Equipe Jornalismo/Rogério Lisbôa

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