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O importante é o outro (Décio Guimarães)

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Décio Guimarães

Nestes novos tempos, instáveis e surpreendentes, estamos aprendendo e, ao mesmo tempo, ensinando.

Pelo fato de nossa rotina ter sido modificada, sem que tivéssemos tempo de ajustá-la ao nosso cotidiano, ficamos um pouco fora de forma.

Quais foram as novas formas de adaptação ao confinamento e a clausura ?

Digo-vos, uma delas foi conviver com a nossa solidão, ver-se no espelho e não se espantar.

Aprender a linguagem do silêncio, e descobrir que somos o nosso melhor

amigo/inimigo(a).

Na impossibilidade de sair do casulo, enfrentamos obstáculos invisíveis, e ao

praticar o isolamento, de amigos e parentes, vemos que foi uma dura batalha.

A viagem para dentro de si, indagar-se sobre o papel que temos neste mundo, e principal, na contribuição que estaremos dando para seja suportável, e, ao mesmo tempo, educativo para as futuras gerações.

Pelo ineditismo e imprevisibilidade, fomos deslocados do nosso eixo, precisando aprender, com rapidez, como não ser inoculado pelo vírus, e, se tocado, como sobreviver.

Os dramas do cotidiano vividos por qualquer ser humano, apesar de vacinação em massa, e de cuidados extremos para não se deixar contaminar, as cepas não pararam de demonstrar que estão ativas.

Feito o registro de nossa sanidade e da nossa insistente permanência neste mundo, é hora de olhar para o outro lado.

Melhor dizendo, olhar para o outro(a) companheiro, parceiro, vizinho, parente, ou seja, alguém, como nós, que está sofrendo do mesmo jeito.

Os Tinders da vida podem solucionar a curto prazo, mas a falta do olhar, do cheiro e a vontade de pegar da mão, tudo muito humano e selvagem desde os primórdios civilizatórios.

Tratar assuntos que merecem um sorriso ou mesmo discórdia, sem que haja um contato humano, nos deixa com um gosto amargo na boca, imperceptível pelo uso da máscara.

Isto se estivermos falando de pessoas queridas e próximas, que o confinamento nos afastou, mas existem coisas a ser dizer sobre o outro, este que importa.

Só que agora a abordagem deverá ser diferente, pois a questão tempo x planos de vida ficaram pelo caminho.

As formas de ver (approach) o outro(a) no novo normal, ou seja o nome que se dê a este instante mundial, não foram, e não serão absorvidas da mesma maneira por todos.

Seja de qualquer perspectiva, vitimado ou não, a situação de vida no planeta Terra mudou, e radicalmente.

Em vários trabalhos e empreendimentos, onde a mão humana se fez presente, tiveram que retroceder, buscar novas formas de sobrevivência e, também, o sentido de existir.

A questão do espaço ficou patente, já que prédios e escritórios foram abandonados, substituídos pelo home office.

Nunca é demais salientar que a nova ordem mundial, além da vacinação em massa e controle rígido sanitário, estabeleceu alguns desafios.

Tais apostas se apresentam como um passo a ser dado na pandemia, que não permite atrasos, nem falsas promessas, pois colocam em xeque a convivência com o ambiente em que vivemos.

Pois é desse encontro gregário e ancestral, no qual fomos forjados e que existimos.

Ficou difícil de descobrir como será o Dicionário de Sobrevivência Pós-Pandemia, que, seguramente, indicarão outros sinais.

Até porque, a pessoa a ser abordada, cortejada, ou mesmo um simples pedido informação, estará se perguntando se este é o ritual a ser seguido, tal o medo interno que carrega, e, também, o que tem de novidade nesta abordagem.

Pois se formos sensatos, e obedientes às normas sanitárias vigentes, será natural que questionemos estes predicados ao parceiro (amigo, vizinho, etc….) antes da possível conexão.

O importante é o outro, pois é com ele que a história fluirá, e poderá dar sinais de bonança.

Nada disso valerá a pena se não tiver o olhar, já que o sorriso se encontra escondido na máscara, fazendo com que a troca de olhares poderá possibilitar a continuidade da espécie.

Décio Guimarães é escritor e poeta

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