Meu malvado favorito | https://reporterbrasilia.com.br/

Inicial / Repórter Brasília / Meu malvado favorito

Meu malvado favorito

Print Friendly, PDF & Email

Darcisio Perondi, TV CâmaraA vitória de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na disputa da presidência da Câmara complicou ainda mais a relação da presidente Dilma Rousseff com o Congresso e evidenciou uma base dispersa demais. O governo, que já estava enfrentando problemas com o seu maior aliado, o PMDB, fica refém do deputado que mais incomoda o Planalto. O fato de Eduardo Cunha, o “meu malvado favorito” da presidente Dilma Rousseff, ter derrotado Arlindo Chinaglia (PT-SP) mostra que o maior empecilho às propostas do governo não é a oposição, mas sim a base. Os parlamentares oposicionistas apoiaram o candidato do PSB, Julio Delgado (MG). A vitória de Cunha só foi possível por conta do apoio maciço dos partidos da base. Mas talvez o maior vencedor seja o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Com um inimigo no comando da Câmara, o governo dependerá ainda mais de Renan para resolver os seus problemas no Congresso. Com isso, o senador alagoano tem mais poder de barganha.

O fim do puxadinho

Os peemedebistas veem a vitória de Cunha como a “declaração de independência” da Câmara. “A vitória de Eduardo Cunha não significa vitória da oposição, mas não podemos ter um Parlamento que seja puxadinho ou vaquinha de presépio do Palácio do Planalto, como aconteceu nas gestões petistas. A Casa só avançou nas gestões de Michel Temer e Henrique Eduardo Alves”, disse o deputado Darcísio Perondi (Foto), do PMDB gaúcho.

Conservadorismo do Congresso

Já os petistas veem com apreensão o resultado da eleição. O partido, que tem a Presidência da República e o maior número de deputados ficou sem cargo na mesa diretora e existe o risco de também ficar sem a presidência das comissões. Além disso, a sigla está preocupada com o futuro das propostas de Dilma. A reforma política com o fim do financiamento por empresas corre um sério risco, e a proposta de regulamentação dos meios de comunicação tende a ser engavetada. O acordo de rotação da presidência da Câmara entre o PT e o PMDB acabou, mas os petistas já esperavam isso.  “Não é o Congresso mais conservador desde 1964? Isso se manifestou no voto. Temos um Executivo progressista e um Legislativo conservador”, comentou o vice-líder do PT Bohn Gass (RS). O PT já fez um requerimento para que se siga o regimento interno no rateio das comissões. “O regimento é claro sobre isso. Querem rasgar o regimento?”, questiona o parlamentar.

Postura de maturidade

“A verdade é que houve traição de meio mundo. O resultado mostra uma base instável e a contrariedade grande ao PT que existe nas ruas”, disse o pedetista Pompeo de Mattos (RS). O seu partido foi acusado de ser o “traidor” de Chinaglia. “A verdade é que o PDT foi a grande vítima. Ficamos sem participação na mesa por conta de uma falta de articulação”, afirmou o parlamentar. De acordo com ele, o resultado e as acusações que o acompanham podem fazer um partido mais independente. “Temos que ter uma postura de maturidade. Não podemos nos distanciar e nem grudar no PT”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.