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Luzelucia Ribeiro da Silva/Divulgação

Maternidade, um Ministério (Luzelucia Ribeiro da Silva)

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Luzelucia Ribeiro da Silva/Divulgação

O mês de maio se destaca por ser o mês mais escolhido pelas noivas para realizarem seu casamento; também é o mês em que no Brasil e alguns outros países é comemorado o Dia das Mães, normalmente no segundo domingo do mês. A Igreja Católica ainda lhe dá um matiz especial ao chamá-lo de o mês de Maria, a mãe de Jesus. Então, maio torna-se bastante significativo e festivo.

O dia das mães é comemorado desde a antiguidade. Na Grécia e Roma Antiga, por exemplo, a entrada da primavera era festejada em honra de Rhea, a mãe dos deuses, ou Cibele, a deusa mãe romana, que também era conhecida por Magna Mater.

O primeiro dia das mães no Brasil aconteceu em 1932 no governo de Getúlio Vargas, embora tendo sido a data comemorada em 1918 por iniciativa da Associação Cristã de Moços, de Porto Alegre. Em 1947, o Arcebispo Dom Jaime de Barros Câmara, determinou que o dia fizesse parte também do calendário oficial da Igreja Católica. É uma data muito popular e comemorada de diversas maneiras, com eventos especiais e atividades escolares.

Mas, foi uma americana que iniciou a campanha para instituir o Dia das Mães. No ano de 1905, Ana Jarvis, da Virgínia, perdeu sua mãe e isso lhe causou um estrago emocional muito forte, chegando a entrar em grande depressão. Preocupadas com o sofrimento de Ana Jarvis algumas amigas idealizaram uma grande festa para perpetuar a memória da mãe de Ana e esta quis que a festa fosse estendida a todas as mães, com um dia em sua homenagem.

E o poeta Coelho Neto (1864-1934) eternizou também em versos que “ser mãe é padecer num paraíso!” Isso soa como um elogio pelas noites insones, pelo desgaste físico, pelas preocupações com esse novo ser chamado filho.

A figura da mãe é tão marcante na família que o próprio Senhor se fez carne através de uma. A maternidade é uma missão complexa, e mesmo a mais consagrada das mulheres precisa do auxílio da Palavra de Deus para cumpri-la bem. Muitas delas encontram uma boa referência na pessoa da mãe do Salvador: ainda que o protestantismo e o catolicismo mantenham algumas divergências sobre o papel de Maria, todas as vertentes do cristianismo concordam que ela foi um exemplo de cuidado, dedicação, responsabilidade e, naturalmente de amor.

A maternidade era o papel essencial da mulher no Antigo Testamento, mas na verdade a missão da mulher não era restrita à geração de filhos. O chamado da mulher é ser parceira do homem, auxiliadora, mesma palavra usada para se referir ao auxílio de Deus, uma contribuição essencial e insubstituível. Mas a figura da mãe pode ser sintetizada pelo exemplo de Ana em 1 Samuel: uma mulher estéril que se torna fértil a partir de um encontro terapêutico com Deus e, por isto, entrega este filho para servir ao Senhor. É o exemplo de uma mulher que experimenta a superação de suas limitações por ter “derramado a sua alma perante o Senhor”. Uma mulher que ama este filho, mas não de forma possessiva e egoísta. Ela se dispõe a doá-lo para Deus para que  ele possa cumprir a vocação para a qual Deus o chamou. Ela continua expressando o seu amor, através da túnica que tecia para ele ano após ano, e continua se doando sem cobrança nem controle. E a condição espiritual dos dias em que Ana viveu se assemelha muito com a sociedade líquida de hoje.

No Novo Testamento a maternidade passa a ter um significado mais abrangente, pois o nascimento de Jesus contribuiu para valorizar a figura da mãe. Maria, a mãe de Jesus é vista como uma figura apagada, passiva, quieta, que sofre calada, quando, na realidade, ela foi uma mulher valente, corajosa, determinada, que ajudou Jesus a dar o primeiro passo na sua missão pública em Caná e o acompanhou até a cruz. Seu cântico revela uma mulher bem informada, espiritualmente madura, consciente da revolução de valores que a vinda do Messias iria provocar. Maria era humilde e desprendida. Ela abriu mão de seus projetos pessoais para obedecer ao chamado de Deus. Ela tinha fé e se dispôs a sofrer por amor a Deus.

Ser mãe, no mundo de hoje é, em primeiro lugar, fazer uma escolha. Ter um  filho é assumir a tarefa de participar da formação desta criança até ela ser capaz de caminhar emocional e espiritualmente sozinha. Isto requer muita dedicação nos primeiros anos de vida, que são comprovadamente os mais influentes. Significa ainda ajudar esta criança a desenvolver o seu potencial, reconhecendo e valorizando os talentos e dons que Deus lhe deu.

Nos dias de hoje e sempre, é necessário que as mães tenham caráter cristão e eduquem seus filhos no caminho do Senhor. Salomão advertiu há muitos séculos: “Instrui (ensina) o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22.6).

Quando as mães se dão conta disto, da influência que têm na formação do caráter de seus filhos, elas podem fazer toda a diferença. Nenhuma outra força na vida da criança é tão poderosa em influência como a mãe. E diante do quadro que presenciamos com tantas situações equivocadas na sociedade em que vivemos, Deus espera que a mulher cristã na atualidade seja como algumas mulheres da Bíblia, que foram verdadeiros exemplos de fé, construindo um memorial eterno, digno de ser imitado.

“Auxiliadoras e idôneas como Eva; piedosas como Ana, mãe de Samuel; hospitaleiras como Marta; versáteis como a mãe do rei Lemuel; educadoras como Loide e Eunice; destemidas como Débora; participativas como Ester; missionárias como a mulher samaritana; prestativas como Dorcas; submissas como Maria, mãe de Jesus.”

Abençoadas sejam todas as mães em seu ministério de doação, serviço, sacrifício e alegria, tendo a consciência clara de que “ser mãe é padecer num paraíso”!

Luzelucia Ribeiro da Silva é professora, escritora e ocupante da Cadeira 20 da Academia Evangélica de Letras do Distrito Federal – AELDF.

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