Impacto político da prisão de Bolsonaro

Deputado Dionilso Marcon (Crédito:Agência Câmara)

A manutenção da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal reacomoda, mais uma vez, o tabuleiro político nacional. Em um país já saturado por radicalizações, o gesto marca um ponto de inflexão: a Justiça avança sobre figuras que, na avaliação de parte expressiva do Congresso, tentaram subverter a ordem democrática.

Medida “necessária”

Nesse contexto, o deputado Marcon (PT/RS) não hesita em defender a medida como necessária para a proteção institucional. Em suas palavras:
“Em princípio é botar na cadeia quem queria terminar com a democracia, mais do que justa a prisão do Bolsonaro, e nós continuar fortalecendo a democracia.”

Marco pedagógico

A fala reflete o sentimento predominante dentro da base governista: a visão de que não se trata apenas de um episódio jurídico, mas de um marco pedagógico para o sistema político.

Rachaduras na extrema-direita

Para Marcon, o processo não se encerra na figura do ex-presidente. O deputado aponta que ainda há arestas a serem enfrentadas, inclusive fora do Brasil.
“Nós temos que buscar o filho dele que tá nos Estados Unidos. Estados Unidos, que está fazendo mal para a nação, ” cobra Marcon.

Reacomodação ideológica

O comentário, duro, mira diretamente o núcleo político da família Bolsonaro, que segue atuante e com influência sobre segmentos radicalizados. A avaliação é que a prisão tende a acelerar fissuras internas da direita, abrindo disputa por liderança e talvez dando início a um período de reacomodação ideológica.

Efeitos sobre o Rio Grande do Sul

Questionado sobre impactos no cenário eleitoral gaúcho, Marcon adota cautela, mas deixa recado.
“Eu acho que é muito cedo ainda, nós temos nosso candidato, que é o Edgar Preto, mas é muito cedo.”

Sem lugar para extremismo

Há, porém, uma leitura clara do deputado sobre o ambiente político do Estado: “Eu acho que esse extremismo deles aí que não respeita ninguém, lá no Rio Grande do Sul não tem lugar para o extremismo. ” A afirmação reforça uma percepção crescente entre lideranças do PT gaúcho: o desgaste da extrema-direita, potencializado pela prisão, pode reposicionar a disputa estadual e beneficiar candidaturas moderadas e de perfil democrático.

Cenário em movimento

A prisão de Bolsonaro não encerra a crise política, mas inaugura uma nova fase. Enquanto o Supremo consolida sua posição, o governo acompanha com atenção os reflexos eleitorais. No Congresso, a base governista vê no episódio a oportunidade de reforçar o discurso em defesa da institucionalidade e Marcon, traduz o tom desse momento.

O tabuleiro se move, as tensões seguem, e 2026 começa a ser redesenhado, agora com um ex-presidente preso e uma direita em busca de rumo.

Eleições 2026

Aliados de Bolsonaro admitem que prisão abala planos para eleições de 2026. A estratégia é para que a família não perca espólio político. O grupo próximo à Bolsonaro, têm admitido, sob reserva, que a prisão preventiva dele provocou um abalo nos planos para as próximas eleições. Na visão dos aliados, Bolsonaro ainda reúne capital político, mas fica fragilizado e expõe a dificuldade da direita em se organizar em torno de um nome.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa