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Juscelino Kubitschek - Foto: Gervásio Batista

Desbravar o Brasil: construir no centro do país Brasília, a nova capital

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Já estava decidida a construção de Brasília. Pouca gente sabe, mas o esboço da moradia do ex-presidente Juscelino Kubitschek foi rabiscado por Oscar Niemeyer num guardanapo em um barzinho, no Rio de Janeiro, chamado Juca’s Bar.

O Palácio do Catetinho, também conhecido como Palácio das Tábuas, por ser simples, uma construção realmente de tábuas, toda de madeira. Foi a primeira edificação da nova capital brasileira, foi a moradia oficial de JK, traçada por Oscar Niemeyer e que depois serviu de traços para outras importantes obras do arquiteto carioca por aqui.

Mineiro que era, dali da cozinha, do fogão à lenha, que saiam pão de queijo, o café recém passado e, é claro, o prato que o ex-presidente mais gostava: Galinha ao Molho Pardo.

Juscelino Kubitschek contou em vídeos um pouco do que foi construir a nova capitas da República. Um transformador elétrico pesando 70 toneladas saiu de São Paulo. Não havia estrada asfaltada. Era de terra batida e muito precária. Na metade do caminho o transformador afunda com uma balsa. Quatro meses pra tirar do fundo do rio, voltar pra São Paulo pra ser consertado e aí sim um dia chega à Brasília. Logo depois de tomar um café, liga a primeira lâmpada no Catetinho. Agora Brasília tinha energia elétrica. Cinquenta anos em cinco.

Lembranças de uma capital

A pizzaria Kazebre 13, na W3 Sul, era comandada pelos simpáticos italianos Vicenzo e Genaro. Hoje lá funciona uma óptica, mas a rampinha de acesso, mantida, parece que você está entrando na pizzaria ainda.

O Conic, por exemplo, era o nome da construtora. O prédio foi erguido para entreter na área de lazer o pessoal das embaixadas, que chegava de todos os cantos do mundo para a nova capital do Brasil.

Por volta de 1956 chegavam à Cidade Livre, hoje o Núcleo Bandeirante, os pioneiros para a construção de Brasília. O restaurante do Amaral tinha como especialidades carne de caça, como capivara, jacaré, paca e até carne de cobra ensopada.

Algumas iguarias também que a legislação hoje não permite ou até a própria vigilância sanitária. Na Cidade Livre o pessoal que vinha do Nordeste do país matava a saudade da terra natal comendo Baião de Dois e também Chambaril, no antigo restaurante Eldorado, do cearense conhecido como Felipe.

O elegante restaurante Tarantella também fez parte da gastronomia brasiliense, aberto em 1977, onde decisões políticas eram tomadas. Por já possuir um restaurante de mesmo nome no Rio de Janeiro, trocou o seu nome posteriormente para Piantella (fechado de vez, recentemente, durante a pandemia), outro famoso na política nacional.

Frango ao Molho Pardo: o prato de JK destacado no mundo

Juscelino Kubitscheck tinha um prato que era símbolo para ele, o prato que mais gostava. O Frango ao Molho Pardo que se obtém o molho misturando com outros temperos aromáticos um pouco de sangue da ave. Um prato bem típico mineiro.

Relatos próximos apontam que JK destacava pelo mundo a receita em todos os restaurantes que frequentava, apresentando aos chefs internacionais. O tradicional restaurante Maria das Tranças em Belo Horizonte, local que tinha presença assídua de Juscelino e que funciona desde 1950 serve o mesmo prato até hoje.

Além de um frango inteiro e depois cortado em pedaços, Juscelino gostava da combinação de temperos como louro, pimenta, orégano, cebola, vinagre e, é claro, o sangue da ave que vai gerar o molho.

O país se encontra na nova capital federal

Brasília está cercada nas suas 31 regiões administrativas com as feiras populares, a essência de cada povo do país. O termo região administrativo substituiu e englobou os nomes cidades-satélites e cidades do Entorno. Guará, Ceilândia, Núcleo Bandeirante, que foi a primeira cidade ao redor, recebendo os candangos e se chamava Cidade Livre; enfim cada uma tem uma feira popular.

É o local onde se encontram ingredientes típicos de várias regiões brasileiras, afinal, Brasília é o encontro no centro do país de todo esse nosso imenso Brasil. Grãos, queijos, frutas típicas, roupas e ainda doces, utensílios de cozinha, cereais de todos os tipos, sem esquecer da tradicional comida de feira, o pastel com o caldo de cana.

A qualidade dos produtos oferecidos pelas feiras populares também chama a atenção dos restaurantes. Muitos deles têm como fornecedores as feiras com as suas grandes peixarias, por exemplo.

Curiosidade: a Feira Central da Ceilândia é hoje um dos maiores pontos da cultura Nordestina fora da região Nordeste do país. São cerca de quinhentas bancas reunidas num só lugar. Sarapatel, dobradinha, caldo de mocotó, bolo de rolo, uma mistura de cores, aromas e sabores.

E falando em boas galinhas caipiras, na Feira do Bicalho, em Taguatinga, você encontra para fazer ao molho pardo.

O emblemático pequi

Pequi ou pequi, tanto faz. Um fruto típico do Cerrado e presente nos cardápios e mesas de muita gente em Brasília. É que nem coentro, se ama ou se odeia, não tem aquilo de gostar mais ou menos de pequi.

De sabor e aroma bem marcantes e um bonito amarelo que fica no prato, ele empresta isso para outros ingredientes. Aliás, empresta não, toma conta. Sabor bem pronunciado.

Embora o pequi esteja presente em muitos locais da região Norte e Nordeste, só aqui, grudadinho em nós, em Goiás, é que se encontram todas as espécies desse fruto.

O seu sabor exótico entra na elaboração do talvez o prato mais conhecido, como a Galinhada com Pequi, e ainda compotas e licores.

Tem que se ter cuidado. Não se deve morder um pequi já que o interior da fruta é cheio de minúsculos espinhos que grudam na língua e no céu da boca. Até nisso ele é diferente. Deve ser comido com as mãos e não com talheres, raspando com os dentes toda a polpa.

O amargor típico da guariroba: um palmito do Cerrado

Guariroba, gueroba. Aquele palmito típico do Cerrado, mais amargo. Um ingrediente muito utilizado em Brasília e nas cidades da região administrativa e até Estados próximos, como Goiás e também Minas.

Se consome essa iguaria, extraída do caule dessa palmeira, cozido, refogado e escaldado. Pode ser numa salada fria, com sal, limão e azeite de oliva extravirgem e também em pratos típicos, como o empadão goiano, por exemplo.

Diferente do palmito convencional, como o que é extraído da pupunha açaí ou juçara, o palmito gueroba além de ser mais amargo, tem a consistência bem mais firme, é mais duro, por isso a necessidade de cozinhá-lo antes.

É um ingrediente de utilização bem antiga, uma herança indígena, alguns relatos do século 18 apontam que já era conhecida pelo nome de “jaguaróba”. O nome guariroba vem do tupi guarani e significa exatamente isso: “palmito amargoso”.

Pouca gente sabe, mas a planta também dá um coco comestível, chamado coco-guariroba. Ele tem uma polpa comestível e também dá uma espécie de amêndoa branca e é bastante utilizado na elaboração de doces caseiros, licores e sorvetes.

Se eu for dizer aqui todos os nomes da guariroba, é o dia inteiro, mas a gairoba também fica muito legal com carne bovina, frango, purê ou simplesmente misturada refogada no arroz.

Um peixe que apareceu para ficar

Tilápia, um peixe que conquistou a mesa do brasiliense. A espécie já é a segunda mais cultivada no mundo – é um peixe de criadouros – e perde apenas pra carpa que é o peixe de larga criação na Ásia. No Brasil, a tilápia é a número um em cultivo.

A popularidade da tilápia é tão grande no Distrito Federal que existem restaurantes especializados só nesse tipo de peixe. O que faz o peixe ter grande produtividade engloba o tipo de ração utilizada na criação, a quantidade de peixes por tanque e os recursos tecnológicos usados.

E o que fez o brasiliense gostar dessa espécie de peixe? É uma carne branca, magra, suave, não tem o odor intenso de peixe, aquele cheirinho que faz muita gente não gostar de peixe; e é capaz de render bons filés sem espinhas.

Outro aspecto que se destaca é as crianças também gostarem do sabor da tilápia, facilitando que a garotada consuma peixe e, um dos principais aspectos, o custo/benefício, valor bem em conta se comparado a outras espécies.

Na cozinha esse peixe vai bem desde na moqueca até em comida japonesa, disputando espaço com sashimis de atum e salmão. Assada, iscas de tilápia, ela servida com molho de tomate, com molhos mais leves de ervas ou mais untuosos elaborados com queijos, no papillote, enfim, o peixe se adequa à uma infinidade de receitas.

O mineiro pão de queijo na mesa do brasiliense

Pratos regionais, quitutes, ingredientes bem locais trazidos de todo o país. E não podia deixar de registrar uma das iguarias presente em cada casa brasiliense. Algo que é de Minas, mas que já conquistou a todos. O mineiríssimo pão de queijo.

A cozinha mineira do jeito que conhecemos hoje nasceu em cidades onde havia a mineração de ouro e também diamantes, como São João Del Rey, Diamantina, Tiradentes, Ouro Preto e outras que tiveram seu ápice nessa época de desbravamento.

A receita intocável dos mineiros é o pão de queijo feito com queijo maturado ralado, ovos, banha de porco e polvilho azedo. Claro, que nas cidades, no meio urbano hoje, é mais fácil se encontrar óleo de soja do que banha na elaboração.

Outras maravilhas da comida mineira e que se tornaram conhecidas em todo o Brasil também se tornaram conhecidas em Brasília. O biscoito de polvilho; a broa de fubá com erva doce, o curau; tem coisa demais, essa lista é bem grande; a canjica; bolo de fubá, entre muitos outros quitutes e iguarias.

Árvores frutíferas em uma capital arborizada

A capital federal, Brasília é uma das capitais mais arborizadas do país e, o melhor, muitas delas são árvores frutíferas, plano detalhado na época pelo urbanista Lúcio Costa.

São mais de dois milhões de árvores que dão frutas espalhadas pela capital federal. As mais comuns de se encontrar são mangueiras, amoreiras, jaqueiras, pitangueiras e, é claro, as goiabeiras, com aquele cheirinho de goiaba madura quando você passa perto.

No Cruzeiro, por exemplo, tem a Avenida das Jaqueiras, a via que separa o Cruzeiro do Sudoeste. Carregada na época da fruta, aliás, vai até junho a safra. Pouca gente sabe, mas se encontram também em vias públicas pés de jambo, uma frutinha perfumada típica do Rio de Janeiro; de cagaita, de tamarindo e até de caju. E talvez umas das mais admiradas e docinhas: a jabuticaba.

Portal Repórter Brasília/Agência Digital News

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